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"Obrigado Ennio. Vou lembrar-te sempre como parte da família Metallica"

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Ennio Morricone a conduzir a Orquestra Simfónica de Budapeste em 2009
Ennio Morricone a conduzir a Orquestra Simfónica de Budapeste em 2009   -   Direitos de autor  AP Photo/Boris Grdanoski, Arquivo
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"O Bom, o Mau e o Vilão"; Clint Eastwood; Sergio Leone; Metallica; Quentin Tarantino. Em comum, Ennio Morricone, o maestro italiano, que morreu esta segunda-feira, com 91 anos, em Roma.

O génio das trilhas para todos os personagens e, de forma involuntária, de uma das aberturas mais celebradas em concertos Rock na galáxia deixou uma longa carreira e vai continuar em palco enquanto os Metallica conseguirem.

Entre as muitas reações expressas ao longo do dia pela morte do mítico compositor dos filmes de "western spaghetti", que revelaram ao mundo Sergio Leone e Clint Eastwood, a do quarteto de Heavy Metal de São Francisco revela-se uma das mais emocionantes.

Desde 1983 que os Metallica utilizam "The Ecstacy of Gold", um dos temas compostos por Morricone para "O Bom, o Mau e o Vilão" (1966), na abertura dos respetivos concertos. Um momento sublime não esquecido pelo grupo.

"A tua carreira foi lendária, as tuas composições são eternas. Obrigado por marcares o ambiente em tantos dos nossos espetáculos desde 1983", escreveu o quarteto no Twitter.

No Instragram, foi o vocalista a usar a conta do grupo para expressar a "magia" sentida na primeira vez que usaram o tema para abrir um concerto.

Tornou-se parte do nosso fluxo sanguíneo, da nossa respiração profunda, do punho batido, das orações e o ritual do grupo antes de cada concerto. Já cantei essa melodia milhares de vezes para aquecer a garganta antes de entrar no palco.

Obrigado Ennio por nos teres dado energia, por fazeres parte da nossa inspiração e pela ligação ao grupo, à equipa e aos fãs. Para sempre, vou lembrar-te como parte da família Metallica
James Heatfield
vocalista e guitarrista dos Metallica

O Johann Bach das bandas sonoras

Ennio Morricone ganhou muitos prémios, mas nos mais desejados da sétima arte, os Óscares, teve de esperar até aos 87 anos, com a primeira banda sonora num filme de "caubóis" em mais de 35 anos, com "Os Oito Odiados" (2015), de Quentin Tarantino.

Mesmo já com87 anos, Ennio Morricone reconhecia nesse ano que "ganhar um Óscar ou mesmo um David era bom e dava alguma justiça à carreira", mas dizia também que "receber um prémio apenas pela música de um só filme era limitador".

Morricone compôs bandas sonoras para mais de 500 filmes. Antes de ganhar o Óscar, esteve nomeado para outros cinco e recebeu um, honorário, em 2007.

O cineasta italiano Allessandro Avataneo disse à Euronews que "a música de Morricone é reconhecível em qualquer lado porque o maestro criou um estilo em evolução em cada obra".

"É o Johann-Sebastian Bach das bandas sonoras do cinema. Foi muito corajoso ao misturar uma orquestra com guitarras elétricas, assobios e estranhos instrumentos de Folk. Morricone foi uma força inesgotável de experimentação musical", defendeu Avataneo.

Ennio morricone morreu esta segunda-feira, numa clínica em Roma, após uma queda em que fraturou o fémur.

O maestro atuou pela última vez em Portugal, em maio de 2019. Um adeus não previsto, mas muito celebrado, rezam as crónicas.