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"Estado da União": A "receita" para o futuro da UE

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"Estado da União": A "receita" para o futuro da UE
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez seu primeiro discurso sobre o Estado da União, esta semana, onde mencionou as lições aprendidas com a pandemia e se pronunciou a favor de uma política contra as alterações climáticas mais ambiciosa, de medidas de retoma económica, dos direitos das minorias, de uma política de migração humanista e da defesa dos valores europeus.

Em destaque na revisão da atualidade europeia desta semana está, também, os apelos do Parlamento Europeu para que a União aprove sanções contra a Turquia e contra a Bielorrússia, que serão discutidas, eventualmente, na cimeira dos líderes da União Europeia, na próxima semana.

Estes temas foram analisados em maior detalhe na entrevista de Stefan Grobe a Carl Bildt, co-presidente do Conselho Europeu de Relações Exteriores (CERE) e ex-primeiro-ministro da Suécia.

Stefan Grobe/euronews: No discurso de Ursula von der Leyen, houve algo que o surpreendeu e houve algo que ficou em falta?

Carl Bildt/**co-presidente do CERE:** Penso que foi um bom discurso, abrangente e com o foco acertado. Senti-me encorajado pelo fato de que temas clássicos que são realmente a base de tudo, tais como a competitividade e o mercado único, também terem sido muito proeminentes no discurso. Daria uma nota alta a este discurso.

Stefan Grobe/euronews: Ano após ano, os altos responsáveis da UE dizem que o bloco deve desempenhar um papel importante no mundo. Mas a Europa está bastante marginalizada e na defensiva em muitas frentes: Bielorrússia, Rússia, Líbia, Mediterrâneo e na relação com o presidente Donald Trump, nos EUA. Como é que isto pode ser revertido?

Carl Bildt/co-presidente do CERE: Nos últimos anos vimos uma evolução na nossa vizinhança no sentido oposto ao que esperávamos há 20 anos, está muito mais problemática. A Rússia é revisionista, no Médio Oriente há turbulência incendiária, temos desafios em África tanto na região do Sahel como da Líbia que vão muito para além do que imaginávamos. E podemos acrescentar um país um pouco imprevisível - para dizer o mínimo - que é os Estados Unidos. Portanto, é uma agenda muito mais exigente em termos de assuntos externos e de segurança do que tínhamos antecipado e penso que não conseguimos desenvolver as políticas e instrumentos necessários para lidar com ela.

Stefan Grobe/euronews: Foi o seu governo que trouxe a Suécia para a União Europeia no início dos anos 90. Quero perguntar-lhe se considera que a identidade europeia, o sistema de valores europeu, está sob ameaça do populismo?

Carl Bildt/co-presidente do CERE: Penso que foi mais ameaçado há alguns anos, quando tivemos as consequências imediatas da crise de refugiados de 2015 e vimos o aumento das forças anti-migração, populistas e anti-europeias na Europa. O que vimos desde então, em alguns países, é que as franjas populistas não são tão poderosas quanto antes. Dito isso, essas franjas continuam presentes, mas penso que estou um pouco mais otimista nesse aspecto específico do que estava há alguns anos.

Stefan Grobe/euronews: Pensa que União Europeia será mais forte ou mais fraca dentro de cinco anos? Peço que leve em conta o facto de estarem à porta eleições nos EUA ...

Carl Bildt/co-presidente do CERE: Certamente espero que seja mais forte. A questão é se será suficientemente forte. Tudo na vida é relativo. O meu medo é que não consigamos fazer o que chamo de recuperação da recuperação e voltar a políticas económicas realmente competitivas. A China e os Estados Unidos estão a avançar muito no domínio digital e a UE está muito atrás deles. Gostaria de estar mais otimista do que estou.