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Jair Bolsonaro em rota de colisão com Joe Biden

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De  Nara Madeira com AFP, AP
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Brasilia, BRAZIL
Brasilia, BRAZIL   -   Direitos de autor  Eraldo Peres/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved
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Devia ser o lançamento de uma iniciativa para promover o regresso "seguro e gradual" do turismo brasileiro mas acabou com o presidente Jair Bolsonaro a lançar ameaças ao presidente eleito dos EUA.

A 30 de setembro, e durante o primeiro debate televisivo, entre Joe Biden e Donald Trump, o candidato Democrata afirmava que se vencesse as presidenciais haveria "consequências económicas significativas" para o Brasil se o país não implementasse políticas para acabar com a desflorestação da Amazónia. "Como é que nós podemos fazer frente a tudo isso?", perguntou Jair Bolsonaro acrescentando que usar "apenas a Diplomacia" não chega. "Quando acaba a saliva tem de ter pólvora, senão não funciona", garantiu o chefe de Estado acrescentando que talvez nem seja preciso usar a pólvora mas é preciso "saber que tem", ou seja marcar uma posição de força.

“As florestas tropicais do Brasil estão a ser destruídas. Mais carbono é absorvido naquela floresta do que o emitido pelos EUA".
Joe Biden
Presidente eleito dos EUA

Biden tinha afirmado ainda que iria angariar 20 mil milhões de dólares para dizer ao Brasil que parasse de destruir a floresta, dinheiro que o Bolsonaro recusou, de imediato, através das redes sociais.

Desde que o atual presidente brasileiro tomou posse a desflorestação aumentou, exponencialmente na Amazónia, até 22 de outubro tinha-se ultrapassado o número de queimadas de todo o ano de 2019, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil. Situação que está também a pôr em causa a aprovação final do acordo comercial entre a União Europeia e o bloco económico do Mercosul.

*"Brasil tem de deixar de ser um país de maricas"*

Mas não foi só a Amazónia e Biden que Bolsonaro trouxe a este evento de forma efusiva. A Covid-19, que levou a quebras históricas no turismo brasileiro e mundial, setor que representa mais de oito por cento do Produto Interno Bruto do país, foi o outro alvo do chefe de Estado que, exaltado, afirmava: "Tudo agora é pandemia!". Bolsonaro acrescentava que lamenta os mortos mas que "todos nós vamos morrer um dia", não há como fugir dessa realidade, portanto, o Brasil "tem de deixar de ser um país de maricas".

Brasil que continua a ser o terceiro país, a nível mundial, mais afetado pela pandemia. Quase 163 mil pessoas morreram desde o início da propagação do vírus, dados da Universidade John Hopkins. Mais de 5,699,000 foram infetadas e pouco se sabe sobre as sequelas que a doença pode deixar nos infetados.

Editor de vídeo • Nara Madeira