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Violência contras as mulheres durante pandemia exige mais apoios

De  Isabel Marques da Silva
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Posters sobre violência contra as mulheres em Itália
Posters sobre violência contra as mulheres em Itália   -   Direitos de autor  Antonio Calanni/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved
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A romã simboliza a mulher em muitas culturas e a artista Haleh Chinikar usou-as numa performance para assinalar, em Bruxelas, o Dia Internacional sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, que a ONU designou ser 25 de novembro.

O título "Tornar o invisível visível" faz uma alusão ao facto das agressões serem, habitualmente, cometidas à porta fechada. A notificação deste tipo de violência aumentou, consideravelmente durante o confinamento por causa da pandemia.

No caso belga, as linhas telefónicas de apoio receberam mais 50% de pedidos de ajuda. Os ativistas esperam que a resposta de emergência continue a ser reforçada.

"Medidas suplementares foram implementadas e agora as associações de mulheres e feministas lutam para que se tornem permanentes. De facto, a crise ajudou a avançar em alguns pontos que vínhamos exigindo há anos, nomeadamente mais lugares nos abrigos para estas vítimas, alargar as possibilidades de ouvir as suas queixas e fazê-lo não só por telefone, mas por outros meios como o "chat" ou SMS", disse Irene Zeilinger, da associação belga Garance, em entrevista à euronews.

"Tudo isto é muito bom, mas tem que se tornar permanente, porque a violência contra as mulheres não vai desaparecer por magia assim que houver uma vacina contra a Covid-19", acrescentou.

Custo em sofrimento humano e na riqueza mundial

Uma em cada três mulheres da União Europeia foi vítima de violência física e/ou sexual. A ONU diz que em todo o mundo há 243 milhões de vítimas, com idades entre 15 e 49 anos.

Esta violência tem um custo económico de 1,3 biliões de euros, o que representa 2% da riqueza mundial. Mas é apenas a ponta do icebergue, porque menos de 40% dos casos são notificados, normalmente a amigos e familiares, sendo apenas 10% reportados à polícia.

A diretora do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, Carlien Scheele, diz que o tema deve ser prioritário no plano de recuperação: "O meu apelo é para que os governos conheçam bem a situação no seu país, façam análises de género de grande qualidade, percebam a quem se dirigem as vítimas de violência doméstica para pedirem ajuda e que treinem esses profissionais para lidarem de forma adequada com o problema".

"Também devem verificar se têm suficientes serviços disponíveis. Se perceberem que pode haver um pico de grande violência doméstica, devem fazer o necessário para terem suficientes centros de acolhimento, camas e outros apoios", disse ainda.

Campanha ao longo de 16 dias

As instituições da União Europeia aderiram ao pedido das Nações Unidas para iluminarem em cor laranja os edifícios importantes de todo o mundo, numa campanha de sensibilização com vários eventos nos próximos 16 dias.

Mas seis Estados-membros da União - Bulgária, República Checa, Hungria, Letónia, Lituânia e Eslováquia - ainda não ratificaram a Convenção de Istambul.

Trata-se do primeiro instrumento juridicamente vinculativo a nível internacional para combater a violência contra as mulheres.