Kim enviou tropas para a Rússia ao abrigo do tratado de defesa mútua que os dois países assinaram em 2024, informou a Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, no poder, num comunicado.
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, saudou as tropas que lutam numa "terra estranha" na sua mensagem de Ano Novo, noticiaram os meios de comunicação social estatais na quinta-feira, na qual sublinhou a "aliança invencível" de Pyongyang com Moscovo.
Sem mencionar os combates com a Rússia contra a Ucrânia, Kim dirigiu-se ao pessoal que a agência noticiosa estatal Korean Central News Agency (KCNA) descreveu como "unidades de operações no estrangeiro", felicitando-os pela sua defesa "heróica" pela honra da nação e dando-lhes instruções para "serem corajosos."
"Enquanto todo o país está envolvido numa atmosfera festiva de saudação do novo ano, sinto ainda mais a vossa falta, que neste momento lutam corajosamente nos campos de batalha em terras estrangeiras, fiéis à ordem da vossa pátria", disse, segundo a KCNA.
"Atrás de vocês estão Pyongyang e Moscovo", disse Kim na mensagem.
A Coreia do Norte enviou milhares de tropas para apoiar a invasão total da Ucrânia pela Rússia, que dura há quase quatro anos, de acordo com as agências de informação sul-coreanas e ocidentais.
De acordo com estimativas sul-coreanas, pelo menos 600 pessoas morreram e milhares de outras ficaram feridas.
Segundo os analistas, a Coreia do Norte está a receber da Rússia ajuda financeira, tecnologia militar e fornecimentos de alimentos e energia.
Os serviços secretos sul-coreanos dizem que os soldados norte-coreanos têm instruções para se suicidarem em vez de serem feitos prisioneiros.
O líder norte-coreano elogiou os soldados por reforçarem a aliança com a Rússia, exortando-os a lutar "pelo fraterno povo russo."
Dois prisioneiros de guerra norte-coreanos detidos pela Ucrânia disseram que esperavam começar uma "nova vida" na Coreia do Sul, de acordo com uma carta vista pela AFP em dezembro.
Segundo informações anteriores, os dois homens, mantidos em cativeiro por Kiev desde janeiro de 2025 após terem sofrido ferimentos no campo de batalha, pretendiam desertar para a Coreia do Sul.
Na carta, os dois prisioneiros agradecem aos que trabalham em seu nome "por nos encorajarem e verem esta situação não como uma tragédia, mas como o início de uma nova vida."
"Acreditamos firmemente que nunca estamos sozinhos e consideramos as pessoas na Coreia do Sul como os nossos próprios pais e irmãos e decidimos abraçá-los", escreveram.
Após semanas de especulação, a Coreia do Norte confirmou, em abril, que tinha enviado tropas para apoiar as forças russas a reprimir uma incursão ucraniana surpresa na região de Kursk.
Kim Jong-un enviou as tropas ao abrigo do tratado de defesa mútua que os dois países assinaram em 2024, afirmou a Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, no poder, num comunicado.
Em junho, o líder norte-coreano voltou a afirmar o seu "apoio incondicional" à guerra da Rússia contra a Ucrânia, durante uma reunião com um alto funcionário russo.
Os comentários foram feitos durante as conversações com o secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, em Pyongyang, segundo a KCNA.