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Uma portuguesa ferida e outra desaparecida na tragédia em Crans-Montana

Homenagem às vítimas
Homenagem às vítimas Direitos de autor  ALESSANDRO DELLA VALLE/ KEYSTONE
Direitos de autor ALESSANDRO DELLA VALLE/ KEYSTONE
De euronews
Publicado a Últimas notícias
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Últimos números dão conta de pelo menos 40 mortos e 119 feridos, 113 dos quais já foram identificados. O incêndio deflagrou durante a festa de Ano Novo onde centenas de pessoas, sobretudo jovens, festejavam a chegada de 2026.

No mais recente balanço feito pelas autoridades suíças, na tarde desta sexta-feira, confirmou-se a contabilização de, pelo menos, 40 vítimas mortais na sequência da tragédia em Crans-Montana, cuja identificação ainda está em curso. O número de feridos foi, entretanto, atualizado, havendo registo de, pelo menos, 119, dos quais 113 já foram identificados**, a maioria com queimaduras** graves.

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Entre os feridos, foram identificados 71 cidadãos suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, um bósnio, um português, um polaco, um belga e um luxemburguês, segundo revelado em conferência de imprensa, na tarde desta sexta-feira.

Posteriormente, em esclarecimento à agência Lusa, Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, detalhou que o cidadão português ferido se trata de uma mulher, que tinha sido internada num hospital em Sion, na Suíça, e que tem origens em Mirandela, no distrito de Bragança. Em declarações posteriores à SIC Notícias, identificou a vítima como sendo Liliana Mateus Baptista, "na casa dos 40 anos", sobre a qual não foi ainda possível detalhar a gravidade dos ferimentos.

Além deste caso, Emídio Sousa reportou ainda o desaparecimento de Fanny Pinheiro Magalhães, cidadã portuguesa de 22 anos originária de Santa Maria da Feira, indicou à referida estação televisiva.

"As nossas equipas estão a fazer o máximo para salvar vidas, apoiar as famílias e identificar as vítimas o mais rapidamente possível", declarou Mathias Reynard, presidente do cantão de Valais.

O incêndio, que deflagrou pela 1h30 da madrugada desta quinta-feira, dia 1 de Janeiro, destruiu o bar Le Constellation da estância de esqui de Crans-Montana, no sudoeste da Suíça, quando se festejava o Ano Novo.

O choque depois da tragédia
O choque depois da tragédia Jean-Christophe Bott/ KEYSTONE

O presidente suíço Guy Parmelin disse que o incêndio foi uma das piores tragédias que o país já viveu. As autoridades adiantaram que alguns dos feridos estão a ser transportados para hospitais em países vizinhos, depois de Itália, França, Alemanha e a UE terem oferecido a sua assistência. Três deles já estão a receber assistência em França e outros oito estão também a ser transferidos.

Foi realizada uma missa na noite de quinta-feira em homenagem às vítimas do incêndio na igreja da vila onde estiveram presentes 400 pessoas. Além desta, será realizada uma outra cerimónia em Crans-Montana, na próxima sexta-feira, 9 de janeiro, para recordar aqueles que perderam a vida.

Missa pelas vítimas na igreja de Crans-Montana
Missa pelas vítimas na igreja de Crans-Montana Antonio Calanni/AP

Anteriormente, de acordo com a RTP, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas tinha já assegurado que o Governo estava em contacto permanente com as autoridades da Suíça. Serão cerca de 270 mil os portugueses que vivem no país e no Cantão de Valais, onde se situa esta estância, serão cerca de 64 mil.

As autoridades classificaram a ocorrência como um “incêndio generalizado”, um termo usado pelos bombeiros para descrever como um incêndio pode provocar a libertação de gases combustíveis que podem inflamar-se violentamente.

Investigação ainda está em curso

A cadeia de televisão francesa BFMTV mostrou fotografias, tiradas por sobreviventes da tragédia, em que se vê jovens a festejarem com "velas-foguete" acesas presas a garrafas de champanhe. Numa das fotos, uma jovem está aos ombros de outra pessoa, brandindo duas garrafas com velas muito próximas do teto da cave do bar.

Noutra fotografia, parece ver-se uma dessas velas a pegar fogo ao teto.

“Esta noite deveria ter sido um momento de celebração e união, mas transformou-se num pesadelo”, disse Mathias Rénard, chefe do governo regional.

Entretanto, na conferência de imprensa na tarde desta sexta-feira, a procuradora-geral de Valais, Beatrice Pilloud, sustentou que "tudo leva a crer que o incêndio teve origem nas velas incandescentes e nos fogos de artifício colocados nas garrafas [...] A partir daí, tudo pegou fogo."

Vídeos, testemunhos e constatações no local permitiram chegar a esta conclusão. Os dois gerentes franceses do estabelecimento foram ouvidos no âmbito deste caso.

A investigação centra-se agora nas obras realizadas recentemente no bar, nos materiais utilizados, nas autorizações necessárias, nas medidas de segurança e no número de pessoas presentes no momento do incidente.

Helicópteros e ambulâncias correram para o local para ajudar as vítimas, incluindo algumas de diferentes países, disseram as autoridades. Mas os feridos eram tantos que a unidade de cuidados intensivos e a sala de operações do hospital regional rapidamente atingiram a sua capacidade máxima, disse Rénard.

Um centro de acolhimento e uma linha de apoio foram criados para as famílias afetadas, disse Lathion.

A comunidade fica no coração dos Alpes suíços, a apenas 40 quilómetros (25 milhas) a norte do Matterhorn, um dos picos alpinos mais famosos, e a 130 quilómetros (81 milhas) a sul de Zurique.

O ponto mais alto de Crans-Montana, com uma população de 10 000 habitantes, fica a uma altitude de quase 3000 metros, de acordo com o site do município, que afirma que as autoridades estão a tentar afastar-se da cultura turística e atrair investigação e desenvolvimento de alta tecnologia.

O município foi formado há apenas nove anos, em 1 de janeiro de 2017, quando várias cidades se fundiram. Estende-se por 590 hectares (2,3 milhas quadradas) desde o Vale do Ródano até ao glaciar Plaine Morte.

Crans-Montana é um dos principais locais de competição do circuito da Taça do Mundo de esqui alpino e sediará o próximo campeonato mundial durante duas semanas em fevereiro de 2027.

Daqui a quatro semanas, o resort receberá os melhores esquiadores masculinos e femininos de descida livre para as suas últimas provas antes das Olimpíadas de Milão Cortina, que começam a 6 de fevereiro.

Esta é também um local privilegiado para o golfe internacional. O clube Crans-sur-Sierre organiza o European Masters todos os anos em agosto, num campo pitoresco com vistas deslumbrantes para as montanhas.

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