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UE pressiona AstraZeneca a cumprir entrega da vacina

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UE pressiona AstraZeneca a cumprir entrega da vacina
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exige à administracao da farmacêutica britânica AstraZeneca que cumpra as suas obrigações contratuais sobre a entrega das doses da vacina contra a Covid-19.

Ursula von der Leyden está muito insatisfeita com o anúncio, no fim-de-semana, de cortes nas entregas previstas para as próximas semanas da vacina que deverá receber aprovação, na sexta-feira, para ser usada no bloco de 27 países.

Os representantes dos Estados-membros para este tema vão reunir-se.

“A notícia não foi bem recebida pela Comissão Europeia nem pelos Estados-membros porque damos muita importância aos prazos de entrega das diferentes vacinas. Os Estados-membros têm uma tarefa muito importante pela frente e já estão a trabalhar na campanha de vacinação, que exige a entrega atempada das vacinas. Com base na reação da presidente da Comissão Europeia, que falou com a direção da empreda ao telefone, vamos continuar a analisar a questão no âmbito do nosso conselho diretivo sobre vacinação", explicou o porta-voz, Stefan de Keersmaecker, segunda-feira, em conferência de imprensa.

O anúncio da AstraZeneca segue-se a uma decisão semelhante recente do consórcio entre a norte-americana Pfizer e a alemã BioNTech. O governo italiano já ameaça com processos em tribunal contra as empresas.

A comissário europeia da Saúde, Stella Kyriakides, disse que a AstraZeneca forneceu esclarecimentos insuficientes e exige que no futuro os fabricantes de vacinas registem as exportações planeadas para fora do bloco.

"A União Europeia quer saber exatamente quantas doses foram produzidas pela AstraZeneca e a quem foram entregues. (...) A União Europeia quer que as doses encomendadas e pré-financiadas sejam entregues o mais rapidamente possível. E queremos que nosso contrato seja totalmente cumprido. (...) A União Europeia apoiou o rápido desenvolvimento e produção de várias vacinas contra a Covid-19 num total de 2,7 mil milhões de euros", disse em comunicado.

Um tom vermelho ainda mais escuro no mapa de viagens

A Comisão Europeia atualizou, também, o mapa de alerta para viajantes, criando um tom mais escuro no vermelho para áreas onde a situaçã é muito grave.

O surgimento das novas estirpes do vírus que aumentam exponencialmente o potencial de contágio, aumentando o número de infeções, criou uma oportunidade para a Comissão corrigir os erros do passado.
Alberto Alemanno
Professor de direito comunitário na HEC Paris

Foi sugerido que os viajantes sejam submetidos a um teste antes da chegada a outro destino, mesmo que façam quarentena. O executivo comunitário quer evitar ao máximo o encerramento unilateral das fronteiras.

"A Comissão Europeia tem tolerado grandes restrições à livre circulação de pessoas, mesmo que nao sejam justificadas do ponto de vista epidemiológico. A Comissão Europeia foi muito cautelosa e não atacou os países que adotaram essas restrições e agora, de certa forma, age tardiamente. Além disso, o surgimento das novas estirpes do vírus que aumentam exponencialmente o potencial de contágio, aumentando o número de infeções, criou uma oportunidade para a Comissão corrigir os erros do passado", disse Alberto Alemanno, professor de direito comunitário na HEC Paris, em entrevista à euronews.

O governo português decidiu começar a vacinar, em fevereiro, titulares de órgãos de soberania e as pessoas com mais de 50 anos e pelo menos uma de quatro comorbilidades identificadas como de grande risco, mas para isso precisa de receber as doses prometidas.