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"Estado da União": Juncker otimista sobre resiliência da UE

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De  Isabel Marques da Silva  & Stefan Grobe
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"Estado da União":  Juncker otimista sobre resiliência da UE
Direitos de autor  Thanassis Stavrakis/AP

O anúncio da farmacêutica AstraZeneca sobre atrasos na capacidade de produção da sua vacina e a justificação de que as promessas de entregas feitas no contrato com a União Europeia não são vinculativas mereceu uma séria advertência da comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides.

"Deixem-me ser muito clara: Os 27 Estados-membros da União Europeia estão unidos na convição de que a AstraZeneca deve cumprir os compromissos assumidos no acordo. A noção de que a empresa não é obrigada a cumprir porque assinámos um acordo que menciona "fazer o melhor esforço" não é nem correta nem aceitável. Não conseguir garantir a capacidade de produção é contra a letra e o espírito do acordo e rejeitamos a lógica de que é servido o que chega primeiro", disse Stella Kyriakides.

O atraso da AstraZeneca foi particularmente duro para a União Europeia, já que o consórcio da Pfizer-BioNTech fez um anúncio semelhante alguns dias antes. Isso pode implicar que os confinamentos sejam mais longos e que a recessão económica se agrave.

Efi Koutsokosta entrevistou o ex-presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, sobre estes desafios.

Jean-Claude Juncker/ex-presidente da CE: Devo dizer que há um ano, em janeiro, fevereiro de 2020, ninguém pensava que teríamos estas vacinas. É um grande sucesso da investigação científica europeia e internacional em termos de progresso. Penso que a Comissão Europeia agiu bem, sem saber os detalhes do que se estava a fazer. Penso que foi acertado pedir à Comissão Europeia para encomendar as vacinas em nome dos 27 países, mas agora enfrentamos problemas ligados à capacidade de produção e à distribuição.

Efi Koutsokosta: Pensa que que há riscos de aumento do nacionalismo, uma certa corrida entre os Estados-membros ou contra os Estados Unidos ou o Reino Unido?

Jean-Claude Juncker/ex-presidente da CE: No que diz respeito à União Europeia, não vejo esse risco, não haverá um monopólio nacional de vacinação como algumas pessoas em alguns Estados-membros estão a defender. Não penso que será esse o caso. Estou a ver que a produção e a distribuição das vacinas são tratadas de maneira diferente entre a União Europeia e o Reino Unido, mas penso que tudo isso será regularizado nas próximas semanas. Não estou pessimista quanto a isso.

Efi Koutsokosta: Está preocupado com uma nova crise económica?

Jean-Claude Juncker/ex-presidente da CE: Não muito, porque penso que as economias de cada país - o que é uma descrição um pouco absurda nestes dias na Europa - são bastante resilientes, a economia europeia é bastante resiliente. Estou um pouco preocupado com a negligência de alguns governos sobre a dívida pública, que vêem como benigna, mas a dívida pública é um veneno, a médio e longo prazo. Portanto, gostaria que os Estados-membros reforçassem os mecanismos para que as economias consigam reagir às consequências decorrentes da crise pandémica. Nao gosto da noção de que a dívida pública não é um grande problema.