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"Medicina de catástrofe" nos hospitais portugueses

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De  Filipa Soares
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Urgência Covid do Centro Hospitalar Tondela-Viseu
Urgência Covid do Centro Hospitalar Tondela-Viseu   -   Direitos de autor  Euronews
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Tal como em Lisboa e Vale do Tejo, no centro de Portugal os hospitais estão a enfrentar uma forte pressão nesta terceira vaga da pandemia. O Centro Hospitalar Tondela-Viseu é uma das unidades que trabalha há semanas no limite. Segundo o diretor clínico, Eduardo Melo, em janeiro o hospital teve quase o mesmo número de internamentos por Covid-19 que na totalidade do ano passado.

"Este é um panorama de catástrofe em que temos de tomar decisões em tempo real, a qualquer momento estamos a adaptar a resposta, a criar soluções de improviso. É uma medicina de catástrofe. Já tivemos que utilizar recursos completamente inusitados, como a abertura de um hospital num pavilhão gimnodesportivo da cidade. Não sabemos durante quanto tempo conseguimos aguentar este nível de pressão, porque não há diminuição no afluxo à urgência", realça o diretor clínico.

Quando a pandemia começou, os doentes Covid ocupavam uma enfermaria no sétimo andar do hospital. Eduardo Melo nunca pensou que tivessem de invadir outros pisos e outros serviços, como Urologia, Cirurgia ou Ortopedia. As enfermarias foram transformadas em unidades de cuidados intermédios. Há um ano o hospital tinha oito camas de cuidados intensivos. Agora tem 26.

O Centro Hospitalar Tondela-Viseu recrutou dezenas de enfermeiros e assistentes operacionais, mas não há médicos disponíveis no mercado. O director clínico não foi contactado sobre uma eventual ajuda de médicos alemães: "Sabemos também que a integração de pessoas externas e de outro país, com outro método de trabalho também pode ser constrangedor, não é nunca uma situação muito fácil".

A Euronews pediu uma entrevista ao Ministério da Saúde sobre a pressão que os hospitais portugueses estão a enfrentar e a ajuda externa, mas, apesar da insistência, não obtivemos resposta.