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"Estado da União": A geopolítica no Pacto Ecológico da UE

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"Estado da União": A geopolítica no Pacto Ecológico da UE
Direitos de autor  RODRIGO ARANGUA/AFP
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A política em Bruxelas continuou a ser muito marcada, na semana que passou, pela forma controversa como a Comissão Europeia coordena a lenta campanha de vacinação contra a Covid-19. Atrasos que se devem a problemas de entrega por parte dos fabricantes que, por seu lado, alegam ter problemas de produção.

Há muita troca de acusações na Europa sobre a gestão da crise por parte de diferentes agentes. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tentou acalmar a situação, recordando o que está em jogo: "O nosso rival é o vírus e a indústria farmacêutica é parte da solução para esse problema".

Além deste tema, o programa destaca a publicação recente de um relatório sobre as repercussões geopolíticas do Pacto Ecológico Europeu, que tem sido apresentado como o motor para a recuperação económica e o bem-estar social e ambiental na União Europeia.

O Pacto Ecológico implica uma revisão fundamental do sistema energético europeu e terá profundas consequências geopolíticas, segundo Susi Dennison, analista política no Conselho Europeu de Relações Externas (CERE), entrevistada por Stefan Grobe.

Stefan Grobe/euronews: Explico-nos quais são as principais conclusões deste relatório. Como é que o Pacto Ecológico pode alterar a ordem geopolítica?

Susi Dennison, analista no CERE: Penso que se conseguir atingir o nível máximo de ambição, o Pacto Ecológico Europeu mudará tudo! É um projeto realmente ambicioso que visa transformar a economia europeia. Isso significa que mudará as relações comerciais da Europa com outros parceiros aos quais importa energia, matérias-primas, produtos de alta tecnologia. É algo que exigirá rever a cadeia de abastecimento. Há muita gente de fora da Europa que está em Bruxelas e noutras capitais para avaliar exatamente como é que o Pacto Ecologico os afetará.

Stefan Grobe/euronews: Basicamente, o Pacto Ecológico quer dispensar o uso dos combustíveis fósseis. Fornecedores tais como Arábia Saudita, Rússia ou Argélia perderão mercados e receitas. Como pode a União Europeia gerir repercussões potencialmente negativas nesses países?

Susi Dennison, analista no CERE: Temos que deixar claro que haverá vencedores e vencidos em termos de fornecimento de energia no futuro. Mas o Acordo de Paris sobre o Clima é uma meta global e, portanto, implementar o Pacto Ecológico é forma da União Europeia fazer a sua parte no acordo. Mas também deve fazer parte de um esforço global mais amplo, porque isto não é algo que a Europa pode fazer por conta própria, não somos a única região emissora de dióxido de carbono.

Stefan Grobe/euronews: A União Europeia poderá transferir a grande dependência energética que tem com a Rússia por uma dependência da China, visto que muitas matérias-primas para tecnologias mais limpas vêm da China. Isso é perigoso?

Susi Dennison, analista no CERE: Não penso que seja tão claro. Penso que haverá alguns movimentos nesse sentido, mas existem outros mercados interessantes em termos de matérias-primas que serão necessárias para produzir energia de fonte renovável. Penso que a Europa precisa de rever as suas relações com os países africanos, por exemplo.