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China e Rússia à frente na diplomacia das vacinas

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China e Rússia à frente na diplomacia das vacinas
Direitos de autor  YURI CORTEZ/AFP or licensors
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A chamada "diplomacia das máscaras" foi um dos escândalos no início da pandemia de Covid-19, quando a China foi acusada de fazer uma gestão geopolítica da entrega de material médico na Europa.

Essa batalha por influência política na cena internacional continua com o processo de vacinação. A Turquia e Brasil são dois grandes países que vão usar as vacinas desenvolvidas no gigante asiático, e alguns países europeus mostraram-se interessados.

“Em primeiro lugar, a China quer melhorar a imagem que ficou algo manchada durante a pandemia. Em segundo lugar, quer consolidar laços com países estrategicamente importantes, incluindo os países abrangidos pela iniciativa de infra-estruturas Nova Rota da Seda", explicou Yanzhong Huang, analista político no centro de estudos Conselho de Relações Externas, em entrevista à euronews.

"Em terceiro lugar, pretendem expandir a fatia de mercado para as suas vacinas e têm a esperança de usar a diplomacia das vacinas para ajudar a alcançar outros objetivos económicos", acrescentou.

Rússia tenta mudar imagem "do país do petróleo"

No caso da vacina russa Sputnik V, há grandes encomendas por parte da Índia e da Argentina, países com influencia geopolítica no sul do globo, onde o governo de Moscovo que fazer autopromoção.

"Basicamente, é uma forma de promover a ciência russa e a imagem da Rússia como uma alternativa enquanto indústria de alta tecnologia. Normalmente, a Rússia é vista como grande produtor de petróleo, mas tem cientistas muito bons", refere Jacob Kirkegaard, analista político no centro de estudos The German Marshall Fund of the US.

"Mas penso que é falso que a Rússia tenha capacidade para fornecer grandes quantidades da vacina Sputnik V. Questiono essa capacidade porque basta ver que a utilização da vacina Sputnik V na própria Rússia tem sido muito limitada", disse, ainda, Jacob Kirkegaard à euronews.

UE fica para trás nas promessas

A imagem geopolítica da União Europeia tem sido prejudicada pela dificuldade em distribuir internamente as vacinas produzidas na Europa e nos EUA.

A Hungria, um dos membros da União, já comprou as vacinas russa e chinesa. Países do centro e leste europeu que aspiram a entrar na União Europeia continuam à espera de ajuda.

"Definitivamente, deveríamos estar a apoiar a Ucrânia, e esse seria só o ponto de partida. A nossa contribuição, tanto do orçamento da União Europeia como de verbas dos Estados-membros, é de 850 milhões de euros. Esse valor é apenas o ponto de partida no apoio a prestar a todos os nossos vizinhos, incluindo os da região dos Balcãs Ocidentais", afirmou Andrey Kovatchev, eurodeputado búlgaro do centro-direita.

A União Europeia prometeu, também, ajudar países africanos e outros que vão beneficiar da iniciativa Covax, para fazer chegar as vacinas às nações menos desenvolvidas. Esses são territórios onde tem de competir com a China, pelo que não pode perder muito tempo.