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Inglaterra procura doente diagnosticado com a variante brasileira

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De  Francisco Marques
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Reino Unido está lançado na vacinação, mas continua a recomendar contenção
Reino Unido está lançado na vacinação, mas continua a recomendar contenção   -   Direitos de autor  AP Photo/Matt Dunham
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Apesar de todas as precauções, inclusive com a suspensão de viagens de Portugal, a variante brasileira do SARS-CoV-2 entrou no Reino Unido. Pelo menos seis casos foram diagnosticados em Inglaterra e um está em parte incerta.

O governo britânico está a lançar apelos para encontrar a pessoa que terá sido testada a 12 ou 13 de fevereiro, com diagnóstico positivo, mas cujo registo anexo ao alegado teste efetuado pelo próprio não ficou completo.

A popularmente apelidada variante brasileira é uma estirpe do SARS-CoV-2 descoberta no início do ano em Manaus e identificada como P1 ou B1128, partilha algumas mutações com a variante sul-africana, altamente transmissível e para a qual a vacina Oxford-AstraZeneca será pouco eficaz.

O caso vem aumentar o ceticismo de alguns cidadãos ingleses em relação às vacinas. Apesar de já terem sido vacinados 20 milhões de britânicos, entre alguns grupos étnicos ainda há alguma resistência, admite Naheed Khan-Lodhi.

"Alguns porque, nos respetivos países, tiveram no passado problemas com vacinas ou com uma farmacêutica em particular. Há muita desconfiança", reforça o diretor clínico da clínica de saúde pública de Walthamstow, a leste de Londres.

Para Naheed Khan-Lodhi, o que é preciso agora são "profissionais de saúde a dizer que tomaram a vacina e a explicar as vantagens". "Se (os indivíduos a serem vacinados) continuarem preocupados, devem conversar com um profissional de saúde", acrescentou.

Alemanha

A desconfiança está a sentir-se também entre o grupo prioritário dos cidadãos germânicos mais idosos. Sobretudo contra a vacina Oxford/AstraZeneca devido às dúvidas iniciais por falta de dados sobre a eficácia nos maiores de 65 anos, já refutados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original)

Para não atrasar ainda mais a vacinação, alguns ministros de estados como a Baviera ou a Saxónia estão agora a sugerir que os lotes rejeitados pelos mais velhos sejam usados pelos mais jovens.

"Se Angela Merkel fosse em direto à televisão e tomasse a vacina (da AstraZeneca), seria ótimo", afirmou Carsten Watzl, o secretário-geral da Sociedade Alemã de Imunlogia, numa entrevista à BBC, no domingo, onde destacou dados recentes oriundos da Escócia sugerindo que os mais idosos também ficam protegidos contra a Covid-19 se tomarem a vacina desenvolvida em parceria com a universidade de Oxford.

Chéquia

O Governo checo, entretanto, parece ser mais um estado membro da União Europeia a afastar-se do plano de vacinação regulado pela EMA e a estender a mão à ajuda da Rússia.

Com a Covid-19 em forte progressão no país (média de 1.120 casos por 100 mil habitantes nas duas últimas semanas) e a vacinação a revelar-se muito lenta, o presidente Milos Zeman revelou na televisão nacional que, "depois de ter consultado o primeiro-ministro", enviou "uma carta a Vladimir Putin a pedir um fornecimento da vacina Sputnik V".

O chefe de Governo, Andrej Babis, concorda com o presidente: "Há pessoas que me escrevem a dizer que querem a vacina (russa). Vai ser voluntário, por isso porque não usa-la? Se é segura e está a ser usada noutros países, porque é que também não a podemos usar aqui?"

Países Baixos

Em Amesterdão, este domingo voltou a ser encenado um protesto contra as restrições em vigor para conter a Covid-19.

A Policia teve de intervir e pelo menos 17 pessoas foram detidas, num dia em que o país voltou a ultrapassar a média de 4600 infeções diárias da última semana (registou 4.729 novos casos) e lamentou mais 21 mortes, num registo que habitualmente não contempla todos os óbitos das últimas 24 horas, mas que ainda assim foi consideravelmente mais baixo do que os 65 de sexta-feira ou os 41 de sábado.

Os Países Baixos contam atualmente com 1.848 camas de hospital ocupadas com "doentes covid" (+39 que no sábado), incluindo 526 nos cuidados intensivos (+8).