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Festival de Genebra luta para que pandemia não faça esquecer os direitos humanos

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Festival de Genebra luta para que pandemia não faça esquecer os direitos humanos
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De  Frédéric Ponsard
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Pelo segundo ano consecutivo, por culpa da pandemia, o Fórum e Festival Internacional de Cinema sobre Direitos Humanos de Genebra aconteceu apenas em versão online.

As várias conferências e debates, em que participaram personalidades da defesa dos direitos humanos, como Angela Davis ou Ai Weiwei, foram transmitidos pela internet para todo o mundo.

"Sentimos um encolher nos espaços de debate em torno dos direitos humanos, sentimos que as notícias nos media são literalmente sugadas pela pandemia e este festival é um dos poucos espaços que restam em todo o planeta. Sentimos, entre as grandes personalidades que concordaram em participar no festival este ano, um desejo de fazer ouvir as suas vozes em Genebra, durante o Conselho dos Direitos Humanos da ONU", diz Isabelle Gattiker, diretora geral e artística do festival.

O Grande Prémio de Genebra na secção de documentários criativos foi atribuído a Shadow Game, de Eefje Blankevoort e Els van Driel, um filme sobre migrantes menores que fogem da guerra ou da pobreza para chegar à Europa. O filme também recebeu o Prémio do Júri da Juventude.

"Toda a gente na Europa deveria ver este filme, por causa do que está a acontecer no nosso continente. Penso que este prémio vai ajudar-nos a levá-lo a diferentes públicos. Estamos a iniciar uma campanha de impacto e vamos lançar um manifesto em que destacamos os direitos das crianças, incluindo das crianças migrantes", conta Eefje Blankevoort.

Para a correalizadora Els van Driel, o filme "mostra, por dentro, algo por que todos passámos. Todos fomos jovens, todos tivemos as aspirações que eles têm. Todos eles querem tornar-se alguém, estudar, arranjar um emprego, ter uma família de quem cuidar".

O Grande Prémio Ficção e Direitos Humanos foi também atribuído a uma mulher, Byambasuren Davaa, que trouxe da Mongólia o filme Veins of the World, que através da história de um jovem rapaz, denuncia a pilhagem impiedosa das terras mongóis por parte das multinacionais. É um filme em que a ficção se encontra com uma dura realidade.

Ansgar Frerich, coprodutor do filme, diz: "É a história sobre uma família nómada mongol que se encontra numa área onde há muito ouro, onde uma empresa internacional compra a terra em leilão e depois a destrói e envenena a água com químicos.

No último dia do festival, o compositor Max Richter e a artista plástica Yulia Mahr apresentaram excertos exclusivos do último trabalho Voices, composto como uma banda sonora para a Declaração Universal dos Direitos do Homem. O trabalho foi apresentado e transmitido em dezembro, em 37 países, e agora lançado em álbum.

"Respondo ao mundo à minha volta escrevendo música. Descobri que era um momento importante para dar relevo a este texto. Vivemos numa época muito dominada pela ansiedade, muito difícil, não só por causa da pandemia, mas antes mesmo da pandemia, com o que estava a acontecer, com o crescimento do populismo, de novas política de direita, nacionalismo, todo o tipo de comportamento isolacionista e xenófobo", conta Richter.

O Fórum e o Festival de Cinema dos Direitos Humanos puderam realizar-se virtualmente, com muitos convidados, projeções e o público que respondeu presente online, porque durante a pandemia, a luta contra a violação dos direitos humanos deve continuar.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira