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Comunidade internacional assegura 5300 ME de ajuda para a Síria

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De  Isabel Marques da Silva  & Aissa Boukanoun
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Comunidade internacional assegura 5300 ME de ajuda para a Síria
Direitos de autor  ZEIN AL RIFAI/AFP or licensors

A Organização das Nações Unidas pedia, pelo menos, oito mil milhões de euros para fazer face, em 2021, à emergência humanitária em que se encontra mais de metade do povo sírio.

A comunidade internacional respondeu com a promessa de doar 5300 milhões de euros para os cidadãos e refugiados sírios.

Na conferência de doadores, que coorganizou com a ONU, a União Europeia comprometeu-se a contribuir com 560 milhões de euros.

O chefe da diplomacia europeia pediu ao regime de Bashar Al-Assad a realização de eleições livres e justas, ao fim de dez anos de conflito.

"Os sírios devem poder decidir sobre o futuro da Síria. O futuro da Síria não pertence a nenhuma das fações internas nem a nenhuma das potências externas. Cabe aos sírios liderar as negociações para realizar eleições sob os auspícios das Nações Unidas. O regime sírio deve tomar medidas nessa direção e, se o fizer, nós vamos responder-lhe", sublinhou, em conferência de imprensa, Josep Borrell.

UE com pouca influência diplomática na Síria

Se não o fizer, no final de maio a União Europeia renova as sanções em vigor contra o governo de Bashar al-Assad.

Os analistas duvidam do poder diplomático do bloco europeu na negociação política mediada pela ONU em nome de uma revisão da Constituição da Síria.

"Se olharmos para o papel da União Europeia no passado, na última década, podemos afirmar, categoricamente, que tem sido um ator humanitário muito importante, até mesmo líder nessa matéria, tendo em conta a quantidade de dinheiro aplicada no conflito na Síria, seja para assistência no interior do país como na ajuda aos países da vizinhança que receberam refugiados sírios. No entanto, ao nível político, a União não tem tido capacidade para influenciar o processo de negociação política", explicou Armenak Tokmajyan, analista político no Centro Carnegie para o Médio Oriente, em Beirute (capital do Líbano).

Dos 5300 milhões de euros arrecadados na conferência de doadores, 3600 milhões correspondem a subvenções para este ano e 1700 para o ano que vem.

O conflito sírio provocou a morte de mais de meio milhão de pessoas e gerou um fluxo de refugiados que teve impacto nos países da vizinhança, mas também na União Europeia, que ficou dividida sobre a redistribuição de requerentes de asilo.

Cerca de 13 milhões sírios precisam de assistência, tendo a pandemia de Covid-19 agravado a crise humanitária no último ano. Os preços dos alimentos aumentaram 222% em relação ao ano passado.

Nove em cada dez pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza e no noroeste da Síria, uma área controlada pelos rebeldes, quase três quartos dos 4,3 milhões de residentes vivem em insegurança alimentar.

"Foram dez anos de desespero para os sírios", disse o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock. “Agora as condições de vida estão em queda livre, há declínio económico e a Covid-19, sendo o resultado mais fome, desnutrição e doenças", acrescentou.