Críticas a Sheeran surgiram depois de anunciar que Macklemore, ato de abertura na digressão pelos EUA, foi retirado do alinhamento após dizer “Free Palestine” em palco. Sheeran afirmou que a decisão foi do promotor.
Ed Sheeran prepara-se para retomar a digressão no sábado, possivelmente em formato a solo, depois de todos os artistas de suporte terem desistido em solidariedade com o artista de abertura Macklemore, afastado após comentários pró-palestinianos em palco.
Resta saber como Sheeran irá gerir o concerto no Lincoln Financial Field, em Filadélfia, perante a saída dos artistas de abertura e da banda de apoio.
Grande parte dos concertos da Loop Tour tem sido feita a solo, mas em cada paragem Sheeran juntava-se à banda irlandesa de folk Beoga em várias músicas. Macklemore, o primeiro artista de abertura previsto para a parte norte-americana da digressão, já tinha sido substituído pela banda dinamarquesa Lukas Graham e pelo cantor irlandês Aaron Rowe, que entretanto também desistiram.
Finneas, irmão e colaborador musical de Billie Eilish, tinha presença prevista na digressão de Sheeran na América do Sul ainda este ano, antes de também anunciar a saída no início da semana.
Desde que perdeu o apoio dos restantes artistas, Sheeran não voltou a pronunciar-se em público. À sexta-feira, ainda havia bilhetes disponíveis para o concerto de sábado e o site do músico não anunciava novos nomes para o cartaz. Uma coligação de organizações pró-palestinianas planeia manifestar-se junto ao recinto na tarde de sábado.
Este concerto acontece após uma semana tumultuosa, marcada logo no arranque pela saída de Macklemore em resposta ao grito “Free Palestine” durante um espetáculo a 5 de setembro, em New Jersey.
Sheeran tem afirmado que não foi responsável pela decisão, tomada após insistência de Robert Kraft, proprietário dos New England Patriots. A empresa de Kraft é dona de um estádio onde a digressão de Sheeran tinha concerto marcado para sexta-feira. Poucas horas depois do comunicado divulgado pelo músico na terça-feira, os artistas de suporte anunciaram a retirada.
Macklemore anunciou na quarta-feira que vai doar 1 milhão de dólares (871 mil euros) para apoiar esforços de ajuda aos palestinianos e apelou a que Kraft igualasse o montante. Um porta-voz de Kraft adiantou que o bilionário e Sheeran concordaram em doar, cada um, 2 milhões de dólares (1,74 milhões de euros), sem especificar ainda o destino do dinheiro.
Segundo a revista Pollstar, a Loop Tour de Sheeran foi, em maio, a digressão mais lucrativa do mundo, com uma receita média superior a 7 milhões de dólares (6 milhões de euros) por cidade. Até ao final de 2025, Sheeran surgia como o terceiro artista que mais receitas gerou em concertos desde 2021.
Sheeran tem igualmente sustentado que a responsabilidade final pela saída de Macklemore coube ao promotor da digressão.
O vencedor de um Grammy foi perentório, na declaração divulgada terça-feira, ao afirmar que não pretende entrar no debate sobre a guerra em Gaza, alegando que os fãs não vão aos seus concertos para ouvir falar destes temas.
Referiu ainda que “falou longamente com as salas durante toda a semana para tentar construir uma ponte” antes de Macklemore ser afastado. Garantiu que nunca deixaria voluntariamente ficar mal os fãs nem abandonaria as equipas de digressão e todos os que dependem dos seus espetáculos para viver.
Embora promotores e salas tenham grande poder sobre as digressões, especialistas sublinham que um artista da dimensão de Sheeran costuma ter a palavra final sobre o que acontece nos concertos.