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"Estado da União": Estímulo económico não deve descontrolar dívida

De  Isabel Marques da Silva  & Stefan Grobe
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"Estado da União": Estímulo económico não deve descontrolar dívida
Direitos de autor  HELMUT FOHRINGER/AFP
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A quinta conferência de doadores para a Síria e países vizinhos esteve em destaque, esta semana, com a comunidade internacional a prometer ajuda no valor de 5300 milhões de euros para 2021, dos quais 3700 milhões de euros serão doados pela União Europeia e os seus Estados-membros.

A União Europeia reiterou o apoio a uma solução política abrangente, sem interferências estrangeiras, como realçou o chefe da diplomacia, Josep Borrell: "Os sírios devem decidir o futuro da Síria. O futuro da Síria não pertence a nenhuma das facções internas nem a nenhuma das potências externas".

A vacinação contra a Covid-19 continua a marcar as manchetes no mundo, tendo a Organização Mundial da Saúde alertado para o facto da campanha na Europa decorrer de forma "inaceitavelmente lenta".

Quanto mais tempo durar a pandemia, mais tempo vai durar a crise económica global. Esta semana, nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington, foi dada análise prioritária as perspectivas económicas e Stefan Grobe entrevistou Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Stefan Grobe/euronews: A crise da Covid-19 levou ao pior desempenho económico em tempos de paz na Europa e em todo o mundo. Muitas pessoas perderam rendimentos e os seus empregos, as empresas estão a lutar para sobreviverem. Qual é a sua mensagem para elas, quando poderemos esperar que as coisas melhorem?

Kristalina Georgieva/diretora-geral do FMI: A minha mensagem é: a economia mundial assenta em bases agora mais firmes. Vamos atualizar de forma positiva as projeções de crescimento para este ano e para o próximo. Mas também vemos que há um aumento perigoso da desigualdade económica no interior de cada país e entre os varios países. Temos que nos focar em resolver a crise sanitária e, acima de tudo, em investir num futuro mais verde, mais inteligente, mais resistente a choques e mais inclusivo.

Stefan Grobe/euronews: Além da situação da Covid-19, que outros riscos poderão tornar o caminho para a retoma acidentado?

Esta crise levou ao aumento dos níveis de dívida e, em média, a nível mundial, a dívida pública está nos 100% do PIB. Temos que pensar na consolidação orçamental no médio prazo, quando chegar o momento certo.
Kristalina Georgieva
Diretora-geral, FMI

Kristalina Georgieva/diretora-geral do FMI: Ainda existe muita incerteza. Há o risco das boas notícias se transformarem em notícias menos boas para alguns. Por exemplo, se a economia mundial entrasse em alta e o crescimento superasse as expetativas, tal poderia levar a um aumento das taxas de juros e um afunilamento nas condições financeiras. O segundo risco tem a ver com a gestão da dívida pública. Esta crise levou ao aumento dos níveis de dívida e, em média, a nível mundial, a dívida pública está nos 100% do PIB. Temos que pensar na consolidação orçamental no médio prazo, quando chegar o momento certo. Ainda não é o momento, temos que garantir apoios à economia.

Stefan Grobe/euronews: A senhora fez parte da Comissão Europeia presidida por Jean-Claude Juncker, foi sua vice-presidente. Quando analisa a resposta europeia à pandemia, com meios urgentes de alívio e o fundo de recuperação, o que deve ser prioritário a partir de agora?

Kristalina Georgieva/diretora-geral do FMI: Neste momento, as prioridades mais importantes são acelerar a vacinação durante a crise sanitária e garantir que o apoio económico não será retirado prematuramente. Estou satisfeita por ver que estas são as prioridades dos líderes e dos cidadãos europeus. Os nossos dados a nível global mostram que, face aos países com bom desempenho, poderá haver o triplo da perda de rendimento, per capita, nos países com maiores dificuldades. Este não pode ser o caso da União Europeia, e espero que esta questão venha a merecer mais atenção.