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Adeptos do futebol reagem à Superliga Europeia

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O Liverpool é um dos 12 fundadores, mas os adeptos não estão contentes
O Liverpool é um dos 12 fundadores, mas os adeptos não estão contentes   -   Direitos de autor  AP Photo/Jon Super
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É um autêntico vulcão em erupção no futebol europeu e está a dividir as opiniões ente os adeptos dos clubes envolvidos na criação da anunciada Superliga Europeia, um torneio exclusivo para 15 clubes mais cinco a serem convidados a cada época.

O projeto liderado pelo presidente do Real Madrid tem a oposição da UEFA, da FIFA, das federações e das Ligas nacionais, e inclusive da Comissão Europeia, mas são os adeptos do futebol, no fim das contas, uma das partes afetados se se confirmar esta revolução elitista no "desporto rei".

Mario Martínez, um estudante universitário de 38 anos, em Madrid, não acredita que "a Superliga Europeia beneficie o futebol europeu". As equipas pequenas vão ser excluídas e o nível da competição não vai ser o mesmo. As pequenas não vão querer continuar a competir no nível máximo como os grandes clubes. Como adepto, prefiro as coisas como estão", resumiu.

Pablo Hidalgo, também estudante em Madrid, mas de 18 anos, mostra-se indiferente e, "como adepto do Real Madrid", apenas se mostra "triste por deixar a Liga dos Campeões". "Ganhámos 13 e eu quero mais. Quero sempre mais. Dá-me pena deixar essa competição, mas, pronto, também podemos ser os reis da Superliga, porque não?", atira.

Tal como Espanha, Itália também tem três clubes fundadores da Superliga europeia. Dois deles são os rivais de Milão.

O gestor Marouen Mzahi é um "tifoso" do AC Milan, mas nem por isso deixa de apontar a alegada desonestidade do próprio clube ao envolver-se numa competição destas: "Quem vencer esta Superliga vai poder comprar sempre os melhores jogadores. Não será honesto fazer uma competição deste género."

Os clubes franceses e alemães parecem decididos a manterem-se fiéis à UEFA e às respetivas federações.

O organismo europeu já agradeceu a oposição à Superliga Europeia assumida por Paris Saint-Germain e pelo atual campeão europeu, o Bayern de Munique, os dois finalistas da última edição da Liga dos Campeões, cuja final foi realizada em agosto, em Lisboa.

Dhamir, um adepto dos bávaros, critica a atitude sovina dos “12 indomáveis patifes”, como chamou o presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, aos clubes fundadores da prova rebelde.

"O que me chateia é estarem a fazer isto tudo só pelo dinheiro. Uma Superliga? É apenas mais uma competição para se fazer dinheiro", criticou o adepto do Bayern de Munique, o clube mais rico da Alemanha e um dos mais poderosos do mundo.

Os 12 emblemas fundadores garantem que a Superliga Europeia será boa para o futebol, mas nem a UEFA, nem a FIFA, nem os líderes políticos europeus, nem muitos dos adeptos parecem convencidos.

Uma sondagem da YouGov, uma empresa britânica de estudos de mercado, sugere que 68% dos adeptos de futebol rejeitam fortemente a criação de uma Superliga Europeia, sendo que mesmo no universos dos adeptos dos seis principais clubes da Liga inglesa haverá 64% de forte rejeição do novo torneio europeu.

A sondagem envolveu mais de 1.700 adeptos de futebol.

YouGov
Sondagem da YouGov a adeptos de futebol sobre a criação da Superliga europeiaYouGov

Alguns treinadores e jogadores das equipas afetadas também não e menos ainda ao começarem a perceber que o próximo Europeu de futebol pode já estar em risco para quem alinha nos clubes envolvidos na criação do torneio rebelde.

O treinador alemão Jürgen Klopp, do Liverpool, um dos 12 fundadores, voltou a mostrar-se contrário à Superliga Europeia.

Antes do empate (1-1) na visita o Leeds, esta segunda-feira, onde foi recebido com mensagens de "mereçam-no" e "o futebol é para os adeptos", o timoneiro dos "reds" reiterou que, tal como em 2019, se mantém contra, mas recusou deixar o clube caso se confirme o torneio.

O capitão do Liverpool, James Milner, foi um pouco mais corrosivo: "Não gosto nem um bocadinho e espero que não se concretize. O sistema tem funcionado e o que o torna especial é aquilo que fizemos ao longo dos últimos anos e que nos permitiu ganhar o direito de vencer a Liga dos Campeões e a Liga inglesa. O produto que temos é muito bom."

Os portugueses Bruno Fernandes, do Manchester United, e João Cancelo, do rival City, tomaram posição ao repartilharem nas redes sociais a publicação do compatriota Daniel Podence, do Wolverhampton.

O avançado dos "lobos" tinha partilhado uma foto captada num jogo da Liga dos Campeões, dos tempos em que representou os gregos do Olympiakos, afirmando haver "algo que não se pode pagar", depois de falar na "bola", na "música" e no "sonho", com referências a diversos momentos marcantes da história da Liga dos Campeões.

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Publicação de Daniel PodenceEuronews/ Instagram

A repartilha de Fernandes teve mesmo um comentário esclarecedor do médio dos "red devils": "os sonhos não podem ser comprados".

Outras fontes • Guartdian, BBC, A Bola