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Políticas de transporte mais inclusivas são prioridade

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De  euronews
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Políticas de transporte mais inclusivas são prioridade
Direitos de autor  MARTIN BUREAU/AFP

Os transportes representam um quarto das emissões de CO2 na União Europeia. Trata-se igualmente de um setor que cristaliza muitas desigualdades.

Por exemplo, o género é um fator determinante na forma como as pessoas viajam. As mulheres andam mais e utilizam mais os transportes públicos.

Os homens têm tendência a guiar os seus próprios veículos. As deslocações seguem geralmente um padrão masculino como explica este analista.

"O transporte é quase completamente organizado em torno das deslocações entre o trabalho e casa. Isto representa um padrão masculino sendo que em geral as mulheres têm um padrão de viagem mais complexo na medida em que têm que comprar algo para a família, vão buscar as crianças, cuidam dos pais... esse tipo de coisas. As mulheres podem potencialmente beneficiar por exemplo de um sistema mais flexível cuja capacidade está mais espalhada e talvez de um sistema de bilhetes diferente que permita deslocações mais flexíveis", afirma Thorfinn Stainforth, do Instituto para uma Política Ambiental Europeia.

Os estudos sugerem que nas empresas de transportes os homens representam em média cerca de 80% dos funcionários.

Esta representação elevada reflete-se nas políticas de transportes, mas também nos veículos que não estão necessariamente adaptados para pessoas com crianças ou compras.

A discriminação pode também ser económica com transportes limpos e acessíveis apenas para os mais ricos.

"Se focarmos apenas na política de mobilidade sustentável nos veículos elétricos e nós subsidiamos as pessoas que compram veículos híbridos ou elétricos. Não surpreende que isto beneficia principalmente os homens de rendimentos mais elevados. Uma política integrada de igualdade e sustentabilidade significaria investir onde se criam benefícios para mais pessoas e onde se garante que os conceitos de mobilidade levam em conta as formas diferenciadas como homens e mulheres se deslocam, como se beneficiam as pessoas que vivem em partes menos ricas da cidade, como garantir que as pessoas com deficiências também beneficiem", defende Patrizia Heidegger, diretora do Gabinete Europeu do Ambiente.

No entanto, estas desigualdades extravasam o setor dos transportes. O Gabinete Europeu do Ambiente fala mesmo de discriminação ambiental.

"Muitas comunidades Roma são empurradas para bairros segregados, locais onde ficam também expostos a níveis mais elvados de degradação ambiental, contaminação química, poluição atmosférica e falta de serviços ambientais. Por exemplo, muita vezes nem sequer têm acesso a água potável ou serviços de recolha de lixo", reclama a especialista em políticas de sustentabilidade.

O Pacto Ecológico oferece uma oportunidade de acabar com esta discriminação.

A sociedade civil lamenta que este projeto único não seja suficiente para integrar a questão da igualdade na criação de uma sociedade sustentável.