This content is not available in your region

Vinho português e cortiça à conquista do maior mercado da Ásia

Access to the comments Comentários
De  Francisco Marques  com Agência Lusa
euronews_icons_loading
Retrato do navegador Vasco da Gama entre as garrafas exibidas na loja "Madeira Home"
Retrato do navegador Vasco da Gama entre as garrafas exibidas na loja "Madeira Home"   -   Direitos de autor  LUSA

Desde que os portugueses expandiram o império para Oriente, no século XVI, que a China importa produtos feitos em Portugal. Na altura, lã, chumbo ou prata eram moeda de troca para o chá, a seda ou as porcelanas que se destacavam depois como luxos na Europa.

A relação entre Lisboa e Pequim abrandou, mas manteve-se com altos e baixos. Ancorada em Macau.

Cinco séculos mais tarde, o comércio bilateral volta a crescer, mas Portugal já não é o grande parceiro europeu. Agora, é a China o grande mercado e com interesses na "galáxia" lusófona, sobretudo Brasil e emergentes PALOP.

Ávidos de diversificação na exportação, os produtos portugueses procuram afirmar-se de novo no maior mercado asiático e apostam na qualidade da oferta, como é o caso do vinho, a principal oferta da "Madeira Home" ("Casa da Madeira"), em Pequim.

A demanda do vinho adocicado no "jardim do Atlântico" parte de Zhang Ruoxi, uma admiradora da longevidade do Madeira.

"O vinho da Madeira é conhecido por ser uma bebida imortal. Há muitos vinhos antigos que foram conservados e este é um vinho que pode ser conservado. Muitas das vinícolas armazenam garrafas de vinho por períodos até 100 anos e só então as comercializam, após décadas. Pela nossa família, estávamos em busca de algo perdurável e que pudesse ser herdado pela próxima geração", explicou Zhang Ruoxi, à Agência Lusa.

Por entre retratos de navegadores portugueses e painéis de azulejos, a "Casa da Madeira" exibe em Pequim milhares de garrafas de vinho. Algumas com mais de um século a envelhecer.

Em Xangai, o principal centro financeiro da China, o brilho português é outro: a cortiça.

"Nós usávamos a cortiça apenas como material complementar no calçado. Não era o material principal, mas mais um auxiliar. Então, pensámos, um material tão bom, por que não pode ser utilizado como protagonista?", questionou-se Li Shuhua, que no ano passado inaugurou uma loja dedicada em exclusivo em produtos de cortiça portuguesa.

Após duas décadas a promover produtos com acabamentos em cortiça, Li Shuhua virou-se para a produção 100% extraída dos sobreiros em Portugal, uma matéria-prima agora na moda, inclsuive na indústria espacial e vista como um paradigma da economia circular.

"Se não nos importamos com o meio ambiente hoje, estamos a degradar o ambiente para os nossos filhos. Tudo é um ciclo", sublinha Huang Xiaomian, o designer da marca promovida por Li Shuhua, a Kaoge, uma conversão fonética para chinês da palavra inglesa cork ("cortiça", em português), que fabrica e comercializa sapatos, carteiras, bolsas, malas ou chapéus a partir da "pele" que se regenera nos sobreiros.

As trocas comerciais entre a China e Portugal aumentaram 4,82% em 2020, em relação ao ano anterior, de acordo com dados das alfândegas chinesas citados pela Lusa. Só no sentido Europa-Oriente, Pequim importou mais 19,6%, de produtos portugueses, ou o equivalente a €2,3 mil milhões, do que em 2019. E isto mesmo no ano da pandemia.

Editor de vídeo • Francisco Marques