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"Bazuca" à vista: Bruxelas aprova PRR de Portugal

De  Pedro Sacadura
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"Bazuca" à vista: Bruxelas aprova PRR de Portugal
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Portugal foi o primeiro Estado-membro a entregar à Comissão Europeia a versão final do seu Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e passou o teste.

Ursula Von Der Leyen visitou Lisboa pessoalmente para trazer boas notícias sobre a aprovação. No maior e mais emblemático centro de divulgação de ciência do país - o Pavilhão do Conhecimento - a presidente da Comissão Europeia ficou a conhecer um exemplo da aposta em ciência e inovação, que poderá crescer mais quando os fundos da "bazuca" europeia começarem a chegar em julho.

"O plano cumpre claramente os exigentes critérios que estabelecemos em conjunto. É ambicioso, mostra uma visão e acima de tudo ajudará a construir um futuro melhor para Portugal, para os portugueses e para a União Europeia."
Ursula von der Leyen
Presidente da Comissão Europeia

O primeiro-ministro falou num "marco histórico", que mostra a unidade europeia em nome do bem maior da recuperação. António Costa sublinhou que não se trata de "um cheque em branco" até porque há metas, objetivos e calendários a cumprir.

Dotado de cerca de 14 mil milhões de euros a fundo perdido para recuperar da crise pandémica, o plano português assenta em três planos: resiliência - onde se inclui o reforço do SNS, programas de habitação e capitalização das empresas - transição ambiental e digital.

Mas ainda que se tratem de campos importantes, há quem questione o real impacto do plano.

Acostumado a estudar vários períodos de crise em Portugal, o economista João César das Neves, acaba de lançar um livro sobre o impacto económico da pandemia de Covid-19. Em entrevista à Euronews, mostrou reservas.

"Porque [o PRR] aposta não na pandemia e na situação imediata de recuperação, mas na próxima geração. Isto é uma medida estrutural, objetivamente. Tem, aliás, como propósitos duas coisas que não foram afetadas negativamente pela pandemia, pelo contrário, foram afetadas positivamente: a digitalização e a descarbonização, duas das poucas coisas que a pandemia facilitou. Temos um plano que não está dirigido aos próximos meses onde vamos estar aflitos a tentar recuperar, por exemplo, a tratar do endividamento das empresas, das questões do ensino, da saúde."
João César das Neves
Economista

Vários países aguardam com impaciência os apoios, que deverão começar a chegar em julho.

A Comissão Europeia já conseguiu aprovar os primeiros fundos para a recuperação pós-pandemia: 20 mil milhões de euros através da emissão de obrigações a dez anos.

Com a aprovação do plano de recuperação português pelo executivo comunitário, a próxima etapa cabe ao Conselho Europeu, que deverá fazer uma apreciação, e ao Conselho de ministros das Finanças da União Europeia (ECOFIN), previsto para esta sexta-feira.

A semana intensa da presidente Von der Leyen continua com a aprovação de mais planos e com passagens por Espanha, Grécia, Dinamarca e Luxemburgo.