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Aliados de extrema-direita alinham-se para "reformar Europa"

De  Euronews
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Aliados de extrema-direita alinham-se para "reformar Europa"
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Os partidos de direita radical e de extrema-direita deram mais um passo em nome da unidade política europeia.

Um grupo de 15 partidos, de 14 países, no Parlamento Europeu alinhou-se para emitir uma declaração conjunta: um memorando, divulgado na sexta-feira, que defende, entre outras coisas, a existência de Estados-membros fortes e soberanos, em vez de uma Europa federal.

"Acreditamos que a cooperação europeia pode ser útil e, em alguns casos, necessária, mas apenas na base da existência de nações livres que cooperam em conjunto de forma livre. Não tanto o que a União Europeia (UE) se tornou: um sistema judiciário integrado com punições severas, um Estado-nação acima de todos os outros. Essa não é a cooperação europeia que queremos. Queremos alternativas e acreditamos que a cooperação europeia merece uma união melhor", sublinhou, em entrevista à Euronews, Gerolf Annenmans, eurodeputado do partido nacionalista flamengo Vlaams Belang

Entre os signatários destacam-se o líder do partido polaco Direito e Justica, Jaroslaw Kaczynski, o Fidesz, liderado pelo primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, a União Nacional de Marine le Pen, a Liga, de Matteo Salvini e a formação neofascista Fratelli d'Italia, entre outros.

De fora ficou, por exemplo, a Alternativa para a Alemanha.

Os envolvidos na iniciativa falam na primeira pedra de uma aliança para criar um novo grupo no Parlamento Europeu com o objetivo de "reformar a Europa", apesar de essa não ser, pelo menos por agora, a prioridade, de acordo com Gerolf Annenmans: “Claro que esse poderia ser o objetivo, mas isso não consta da agenda neste momento, não é a questão mais urgente. O mais urgente é que a Conferência sobre o Futuro da Europa precisa de outras respostas para o desenho da cooperação europeia. Temos de unificar os nossos esforços. O grupo é algo para depois. E é mais complicado."

Os signatários da declaração pertencem, maioritariamente, aos grupos Identidade e Democracia e ao Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus.

A ameaça de uma nova força radical de direita não representa um risco imediato para Bruxelas, atendendo a que o número de deputados continuará o mesmo. Mas, a longo prazo, pode influenciar a tomada de decisões, lembrou Doru Frantescu, analista do think tank Votewatch Europe: “É um sinal importante que mostra que em todo o continente existe uma certa concentração de insatisfações com determinadas políticas da União Europeia. Temos que tomar em consideração que esses partidos discordam em muitas matérias, mas concordam nas questões culturais, identitárias. Estão insatisfeitos com as políticas da UE que consideram afetar os valores familiares, a composição identitária dos respetivos países. Por outro lado, não devemos sobrestimar a importância deste movimento, porque, em termos práticos, não muda muito o equilíbrio de poder na política europeia atual."

No entanto, se a unidade persistir até as próximas eleições europeias vários partidos poderão alinhar-se como força de oposição.