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Deslavorização da moeda turca gera protestos nas ruas de Ancara e Istambul

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De  Fátima Valente
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Deslavorização da moeda turca gera protestos nas ruas de Ancara e Istambul
Direitos de autor  Emrah Gurel/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved

Dezenas de pessoas manifestaram-se em Ancara contra a situação económica do país, depois de esta terça-feira a lira turca ter registado nova descida histórica, na sequência da política monetária do Presidente Recep Tayyip Erdogan.

Também em Istambul cerca de 250 manifestantes saíram à rua no bairro de Kadikoy, na parte oriental da cidade, entoando slogans como "Demissão do Governo" e "Não conseguimos pagar as contas".

A moeda turca perdeu 43% do valor contra o dólar desde o início do ano. Observadores temem que se mantenha a tendência de queda.

Erdogan insistiu que as taxas de juro tinham de baixar, seguindo a teoria de que as altas taxas equivalem a inflação elevada.

O banco central cortou desde então 400 pontos base nas taxas de juro, o que desencadeou dúvidas sobre a independência da instituição. E na mais recente decisão, na semana passada, deixou antever que pode haver novo corte em Dezembro.

Erdogan, que já destituiu três governadores do banco central desde Julho de 2019, nega qualquer responsabilidade pelo colapso da moeda. Para o Presidente turco a nação está a travar "uma guerra pela independência económica", mas a contestação está nas ruas.

"A rápida valorização do dólar, a crise económica que nos está a atingir, o aumento dos preços de todas as coisas, tudo isto derrete os nossos salários", afirmou o professor Olcay Keten.

Kerim Rota, que está a cargo da política económica do Partido do Futuro, da oposição, disse que a lira estava a sofrer a pior desvalorização mensal desde 1994, e a segunda pior nos últimos 40 anos.

A meta oficial de inflação da Turquia é de 5%, mas manteve-se na casa dos dois dígitos nos últimos dois anos, chegando a quase 20% no mês passado.

A oposição defende que a inflação real é muito mais alta do que mostram os dados oficiais. Dada a situação, pedem uma ida às urnas antes da votação marcada para junho de 2023, porém o Presidente turco disse esta terça-feira que "não haverá eleições antecipadas".