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Ferida aberta em Beirute

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De  Teresa Bizarro
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ARQUIVO - As marcas da destruição de há dois anos mantêm-se no Porto de Beirute
ARQUIVO - As marcas da destruição de há dois anos mantêm-se no Porto de Beirute   -   Direitos de autor  Thibault Camus/AP

Em vez de uma cicatriz ou sinais de reconstrução, as marcas da explosão de há dois anos no Porto de Beirute estão como feridas abertas no coração do Líbano

A estrutura que restou do rebentamento está longe de estabilizada. Ainda no passado domingo, um dos silos de cereais, com 48 metros de altura, ruiu devido a um incêndio que se arrastava há um mês. O resto dos grandes cilindros que ainda marcam a linha do horizonte pode desabar a qualquer momento.

A capital libanesa prepara-se para assinalar, esta quinta-feira, o segundo aniversário deste episódio sangrento. Há dois anos, cerca de 200 pessoas perderam a vida, mais de 6 mil ficaram feridas e 300 mil residentes em Beirute foram desalojados.

Mais de uma dezena de organizações, incluindo a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, apelaram à ONU para investigar "sem demora" o incidente e clarificar a "responsabilidade do Estado" pelo que aconteceu.

"Apelamos aos membros do Conselho dos Direitos Humanos da ONU para que submetam à próxima sessão do órgão em Setembro de 2022 uma resolução que envie sem demora uma missão de inquérito independente e imparcial para a explosão de 4 de Agosto de 2020 em Beirute", disseram as ONG numa declaração conjunta.

As toneladas de nitrato de amónio que explodiram em Beirute foram armazenadas no porto da cidade durante anos sem medidas de segurança. A explosão de 2020 é vista pelos libaneses como um símbolo de corrupção e da má governação que conduziu o país a uma crise financeira devastadora.