O Foro Penal e a Plataforma Unitária Democrática afirmam que o número de presos políticos libertados na Venezuela é inferior ao número anunciado pelo governo e situam as libertações verificadas entre 56 e 76 pessoas.
A ONG Foro Penal e a Plataforma Unitária Democrática (PUD), principal aliança da oposição na Venezuela, assinalaram discrepâncias significativas entre os números oficiais e os verificados por organizações de defesa dos direitos humanos sobre a libertação de presos políticos, na sequência do anúncio feito pelo governo interino.
Na terça-feira, representantes da oposição, incluindo a Prémio Nobel da Paz María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, denunciaram que a suposta "libertação em massa" de detidos, anunciada há cinco dias pelas autoridades venezuelanas, não foi executada como prometido.
Em comunicado, as autoridades afirmam que o número de 116 libertações divulgado pelo governo não corresponde ao que foi verificado até à data pelos grupos que acompanham estes casos. O Foro Penal e a PUD verificaram entre 56 e 76 libertações efetivas, consideravelmente menos do que as 116 mencionadas pelo governo, num processo que ainda não foi totalmente transparente.
Já na terça-feira, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, assegurou que mais de 400 pessoas já abandonaram as prisões venezuelanas desde o anúncio da amnistia geral, no passado dia 8 de janeiro. Anunciou ainda que a lista de prisoneiros seria tornada pública, não por pressão de Washington, mas sim porque essa é a vontade do povo venezuelano.
Desde segunda-feira, centenas de famílias têm-se reunido nas proximidades das prisões com esperança de voltar a ver os entes queridos.
Na terça-feira registaram-se ainda manifestações, por todo o país, para exigir a libertação dos cerca de 800 presos políticos que se estima que estejam detidos na Venezuela.
Mas também os apoiantes de Nicolás Maduro saíram às ruas, pedindo o regresso do ex-presidente, que está a ser julgado em Nova Iorque. O filho do antigo chefe de Estado aproveitou a ocasião para afirmar, num discurso, que era uma violação do direito internacional capturar um presidente que tinha sido eleito três vezes pelo povo venezuelano.
Recorde-se, no entanto, que vários observadores internacionais, nomeadamente da Organização das Nações Unidas (ONU), consideraram que o último processo eleitoral no país careceu de transparência.
Ativista Sofía Sahagún libertada da prisão
Entre os libertados encontra-se a ativista hispano-venezuelana Sofía Sahagún Ortiz, detida desde outubro de 2024 numa prisão venezuelana e que foi libertada na terça-feira, segundo a própria ONG. Sahagún, cuja detenção foi denunciada por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, está agora a caminho de Madrid.
O anúncio das libertações foi feito inicialmente por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da chefe do executivo, Delcy Rodríguez, que afirmou na semana passada que um "número significativo" de presos políticos seria libertado. Este anúncio foi feito no meio de uma forte tensão interna e de pressões internacionais sobre a situação das detenções no país.