O Foro Penal e a Plataforma Unitária Democrática afirmam que o número de presos políticos libertados na Venezuela é inferior ao número anunciado pelo governo e situam as libertações verificadas entre 56 e 76 pessoas.
A ONG Foro Penal e a Plataforma Unitária Democrática (PUD), principal aliança da oposição na Venezuela, assinalaram discrepâncias significativas entre os números oficiais e os verificados por organizações de defesa dos direitos humanos sobre a libertação de presos políticos, na sequência do anúncio feito pelo governo interino.
Na terça-feira, representantes da oposição, incluindo a Prémio Nobel da Paz María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, denunciaram que a suposta "libertação em massa" de detidos, anunciada há cinco dias pelas autoridades venezuelanas, não foi executada como prometido.
Em comunicado, as autoridades afirmam que o número de 116 libertações divulgado pelo governo não corresponde ao que foi verificado até à data pelos grupos que acompanham estes casos. O Foro Penal e a PUD verificaram entre 56 e 76 libertações efetivas, consideravelmente menos do que as 116 mencionadas pelo governo, num processo que ainda não foi totalmente transparente.
Ativista Sofía Sahagún libertada da prisão
Entre os libertados encontra-se a ativista hispano-venezuelana Sofía Sahagún Ortiz, detida desde outubro de 2024 numa prisão venezuelana e que foi libertada na terça-feira, segundo a própria ONG. Sahagún, cuja detenção foi denunciada por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, está agora a caminho de Madrid.
O anúncio das libertações foi feito inicialmente por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da chefe do executivo, Delcy Rodríguez, que afirmou na semana passada que um "número significativo" de presos políticos seria libertado. Este anúncio foi feito no meio de uma forte tensão interna e de pressões internacionais sobre a situação das detenções no país.