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“Portugal não vai estar envolvido": Paulo Rangel nega envio de meios para o Estreito de Ormuz

Ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel
Ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel Direitos de autor  AP Photo/Petros Giannakouris
Direitos de autor AP Photo/Petros Giannakouris
De Ema Gil Pires
Publicado a Últimas notícias
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O ministro Paulo Rangel destacou aqueles que têm sido "os esforços diplomáticos" por si realizados com vista a contribuir para um alívio das tensões no Médio Oriente. Porém, descartou a possibilidade de enviar meios militares para a região, tal como foi requerido por Donald Trump.

“Portugal não está, nem vai estar, envolvido neste conflito.” A garantia foi dada pelo ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas, na segunda-feira, à margem de uma reunião dos chefes da diplomacia dos países da União Europeia, em Bruxelas, que foram transmitidas pela RTP.

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Afirmações proferidas no momento em que foi questionado sobre se Portugal estava a ponderar responder ao apelo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os seus aliados da NATO ajudassem a repor a normal circulação de navios no Estreito de Ormuz, através, nomeadamente, do envio de meios navais para a região.

“A posição portuguesa é conhecida, de que, obviamente, não há qualquer envolvimento neste conflito. Essa é a nossa posição desde o início e mantemos", insistiu Paulo Rangel, ecoando palavras que também proferiu na altura em que foi noticiada a polémica utilização, por parte de Washington, da Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, no âmbito da intervenção militar no Irão. "Nada mudou quanto a isso”, voltou a dizer, a propósito de um conflito que, afirmou, "Portugal não subscreveu".

Apesar de descartar qualquer possível envolvimento militar do país no âmbito dos desenvolvimentos em curso na região do Golfo Pérsico, o chefe da diplomacia portuguesa apontou, no entanto, "que todos os esforços diplomáticos que possam ser feitos junto dos vários atores para aliviar a tensão" e "evitar uma escalada" do conflito são "merecedores".

Uma missão na qual, segundo detalhou, tem estado diretamente envolvido: “Tenho falado com todos os ministros meus homólogos do Golfo, mais do que uma vez, e sempre no sentido de procurarmos uma solução que possa, primeiro, evitar a escalada, esse é o ponto principal de todos [...], e tentar o regresso à mesa das negociações.”

Sobre se os seus homólogos do bloco europeu tinham uma posição semelhante relativamente ao pedido feito por Donald Trump, num dia em que os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros estiveram reunidos, Paulo Rangel disse que existe um "amplo consenso" de que os Estados-membros não devem ser parte integrante da guerra no Médio Oriente.

"No sentido de que tudo o que possamos fazer para ajudar a superar este bloqueio, ou esta manipulação, da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, é fundamental", referiu o governante português, pelo que "todos [os países da UE] estão dispostos, e especialmente aqueles que mais meios têm", nomeadamente "diplomáticos, a cooperar nesse sentido".

Mas deixou um alerta, dizendo que, "evidentemente, isso não implica uma deslocação de meios militares para a região e, especialmente, para o Estreito de Ormuz”.

Nesse encontro esteve também presente Kaja Kallas, a chefe da política externa da UE, que à margem da cimeira reafirmou igualmente que "não há vontade" por parte dos Estados-membros de alargar as competências da missão naval do bloco na região, a Aspides, de modo a ajudar a proteger o Estreito de Ormuz no contexto da guerra iniciada pelos EUA e por Israel contra o Irão .

"A discussão sobre o alargamento do mandato para cobrir o Estreito de Ormuz [...] não foi aceite pelos Estados-membros", afirmou a chefe da diplomacia europeia, sobre uma missão naval de caráter defensivo, fundada em 2024 com o intuito de salvaguardar a liberdade de navegação e o transporte marítimo no mar Vermelho e regiões circundantes, devido aos constantes ataques levados a cabo pelos Houthis. "Ninguém quer entrar ativamente nesta guerra", afirmou ainda Kaja Kallas.

Isto apesar de Donald Trump ter ameaçado que a Aliança Atlântica poderá ter um futuro "muito mau" pela frente caso os seus membros optem por não responder ao seu pedido de auxílio para a defesa do Estreito de Ormuz.

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