A Taça das Nações Africanas de 2025 terminou com um final dramático, com o Senegal a derrotar o anfitrião Marrocos e a sagrar-se campeão em África, encerrando um torneio repleto de surpresas, emoções e momentos inesquecíveis, dentro e fora do relvado.
Pape Gueye marcou o golo no prolongamento para os Leões de Teranga vencerem o anfitrião Marrocos por 1-0 numa final caótica, que a certa altura viu os adeptos tentarem invadir o campo e os jogadores senegaleses a abandonarem o relvado para protestar contra uma decisão de grande penalidade nos descontos da segunda parte.
Não ficou claro se o jogo poderia continuar devido aos confrontos entre os adeptos e os assistentes.
"Todos vimos o que aconteceu no final do jogo, mas tomámos a decisão de voltar ao campo e dar tudo por tudo", disse Gueye.
O jogo recomeçou após uma paragem de 14 minutos, mas o senegalês Édouard Mendy defendeu com facilidade a tentativa de penálti de Brahim Díaz, que atirou a bola para os braços do guarda-redes no último pontapé do tempo regulamentar.
Já Gueye marcou o golo da vitória do Senegal no quarto minuto do prolongamento, ao rematar com a bota esquerda para o canto superior direito da baliza.
Lotação esgotada
O Estádio Príncipe Moulay Abdellah, com capacidade para 69.500 espectadores, esvaziou-se rapidamente após o apito final. Poucos foram os que ficaram para ver os jogadores senegaleses levantarem o troféu.
Durante toda a competição, das ruas aos estádios, a atmosfera foi elétrica. O confronto entre Marrocos e Senegal foi o clímax perfeito, com uma final tensa que manteve os adeptos de todo o continente em suspenso.
Mas esta Taça das Nações Africanas foi muito mais do que apenas futebol. Mostrou cidades, infraestruturas e comunidades de todo o Marrocos, destacando o movimento dos adeptos e as viagens que ajudaram a ligar todo o país.
Um legado vivo
A CAN 2025 também deixou um legado tangível. Em Casablanca, o impacto do futebol foi muito além dos estádios, chegando aos bairros locais.
Um parque infantil comunitário da cidade foi renovado e transformado num espaço dedicado onde os jovens jogadores podem treinar, jogar e sonhar, uma intervenção aparentemente pequena com um impacto social potencialmente duradouro.
"Vi a paixão que os miúdos tinham pelo futebol e, ao mesmo tempo, a falta de oportunidades", disse Nassim, um treinador comunitário da Replay, uma organização envolvida no projeto. "A maior parte deles estava a abandonar a escola."
Nassim descreveu como o parque infantil estava em más condições antes da renovação. "É preciso ver este sítio para perceber o seu estado", disse. "Os miúdos até nos ajudaram a deitar o lixo fora."
Outro treinador, Nicolas, disse que o objetivo era criar oportunidades através do desporto. "Queremos fazer algo pelas crianças e também por nós próprios", explicou. "O objetivo final é construir um grande projeto que possa ajudar as crianças a encontrar um caminho diferente na indústria do desporto."
Desde espaços públicos renovados a ruas cheias de gente e zonas de adeptos, todos os elementos do torneio foram construídos tendo em vista a noite decisiva da competição.