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Maquinistas em Espanha convocam greve geral após semana negra

Fragmentos de um acidente de comboio são fotografados no local da colisão em Adamuz, Córdova, a 19 de janeiro de 2026.
Fragmentos de um acidente de comboio são fotografados no local da colisão em Adamuz, Córdova, a 19 de janeiro de 2026. Direitos de autor  AP
Direitos de autor AP
De Rafael Salido
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O SEMAF denuncia a degradação da rede ferroviária após vários acidentes mortais e alerta para as vibrações detetadas na via que exigem uma revisão urgente da manutenção.

O Sindicato Espanhol dos Maquinistas Ferroviários (SEMAF) convocou uma greve geral em todo o sector ferroviário, após uma semana marcada por três acidentes graves na rede espanhola, um deles na Andaluzia e os outros dois na Catalunha.

O sindicato denuncia uma situação de "constante deterioração do caminho de ferro" e exige medidas urgentes para garantir a segurança dos profissionais e dos utentes.

"Todos nós, no SEMAF, estamos desolados e consideramos inaceitável esta situação de constante deterioração do caminho de ferro. Devem ser implementadas urgentemente diferentes medidas na nossa rede para garantir a integridade dos profissionais e dos utentes", afirma a organização num comunicado, no qual não dá pormenores sobre a eventual greve geral.

O apelo surge após dois novos descarrilamentos ocorridos nas últimas horas devido à tempestade. O primeiro ocorreu em Maçanet (Gerona), quando um comboio embateu numa pedra que tinha caído na via, sem consequências para os ocupantes.

O segundo, muito mais grave, ocorreu em Gelida (Barcelona), onde o desmoronamento de um muro de contenção provocou a colisão de um comboio Rodalies, causando a morte de uma pessoa e dezenas de feridos. A estes acontecimentos juntou-se o acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), em que pelo menos 42 pessoas morreram após o descarrilamento de um comboio de alta velocidade e a subsequente colisão com outro comboio.

Na sua nota, a SEMAF garante que tomou medidas imediatas para interromper a circulação do comboio Rodalies quando teve conhecimento dos descarrilamentos. No entanto, durante essas diligências , foi confirmada a morte de um maquinista, facto que o sindicato considera "inaceitável".

Entre as medidas anunciadas, conta-se a exigência de responsabilização penal de quem deve garantir a segurança da infraestrutura e a recusa de reabertura do serviço na Catalunha sem garantias suficientes.

O sindicato exige ainda que os protocolos aplicados na Catalunha devido a condições meteorológicas adversas sejam alargados a toda a rede nacional e que, no início de cada serviço, os maquinistas recebam garantias explícitas sobre a segurança do percurso. Caso contrário, avisam que adaptarão a circulação do comboio às condições reais da infraestrutura.

Vibrações na via

O SEMAF já tinha alertado meses antes para o estado da rede. Em agosto de 2025, o sindicato pediu aos gestores da infraestrutura que revissem os protocolos de manutenção, após ter detetado um aumento de "irregularidades" e "vibrações" em várias linhas. Segundo declarações feitas à "Onda Cero" pelo seu secretário-geral, Diego Martín, estes incidentes estavam relacionados com uma maior utilização das vias após a liberalização do transporte ferroviário.

Martín sublinhou que estes avisos não se devem a sinais de insegurança imediata, mas a problemas de conforto e manutenção."Se houvesse indícios de que uma infraestrutura não era segura, teríamos interrompido o serviço", afirmou, exigindo agora investigações "autónomas e independentes" para esclarecer as causas dos últimos acidentes.

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