A polícia está à procura de membros do grupo de extrema-esquerda "Vulkangruppe" ou Grupo Vulcão, que reivindicou a responsabilidade pelo apagão no início de janeiro.
A Alemanha está a oferecer uma recompensa de um milhão de euros por informações que levem à detenção de supostos militantes de extrema-esquerda cujo ataque incendiário causou um apagão maciço em Berlim no início do mês, disse o ministro do Interior na terça-feira.
Cerca de 45.000 casas e 2.200 empresas ficaram sem eletricidade durante quase uma semana, em pleno inverno, no sudoeste da capital alemã. Foi o apagão mais longo registado na cidade desde o final da Segunda Guerra Mundial.
A polícia alemã está à procura de membros do grupo de extrema-esquerda "Vulkangruppe" (Grupo Vulcão), que reivindicou a responsabilidade pelo apagão em várias declarações online. O grupo afirmou que o objetivo era atacar a indústria dos combustíveis fósseis e não provocar cortes de energia.
Ao anunciar a recompensa, o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, prometeu "ripostar".
"As nossas agências de segurança vão ser significativamente reforçadas na luta contra o extremismo de esquerda", afirmou. "Penso que é apropriado sublinhar a gravidade da situação com uma recompensa desta magnitude".
Dobrindt disse que a polícia iria lançar uma campanha publicitária para solicitar dicas e divulgar a recompensa, incluindo folhetos e cartazes no sistema de metro de Berlim.
O autodenominado Grupo do Vulcão está ativo desde 2011 e já levou a cabo ataques incendiários em Berlim e arredores, segundo a agência de informação interna da Alemanha.
O grupo reivindicou a responsabilidade por um ataque incendiário em 2024 que interrompeu a produção da fábrica de automóveis da Tesla em Berlim.
Preocupações com a segurança das infraestruturas
A falha de energia causada por um incêndio que atingiu um conjunto de cabos de alta tensão revelou lacunas na segurança das infraestruturas críticas da capital alemã, numa altura em que Berlim está preocupada com ataques de sabotagem provenientes da Rússia.
As autoridades berlinenses também foram criticadas pela rapidez e dimensão da sua reação ao apagão.
Durante muitos anos, a Alemanha enfrentou o que as autoridades descrevem como uma campanha russa de sabotagem, espionagem e desinformação destinada a desestabilizar o país, um dos principais fornecedores de apoio militar à Ucrânia e um importante centro logístico da NATO.
Moscovo tem negado as alegações.
Na terça-feira, Dobrindt prometeu que a câmara baixa do parlamento, o Bundestag, adoptaria esta semana uma nova lei para proteger melhor as infraestruturas críticas.
Mas o projeto inicial da legislação já foi criticado por alguns membros do setor da energia e da comunidade empresarial por ser demasiado burocrático para ser eficaz.
Alguns também alertaram para o risco de a legislação obrigar a uma transparência excessiva sobre as instalações de infraestruturas vitais, o que poderia ser explorado por agentes maliciosos.
Dobrindt reconheceu que "já divulgamos demasiada informação pública sobre as nossas infra-estruturas críticas".