Giorgia Meloni e Friedrich Merz assinaram em Roma o novo plano de ação germano-italiano. Conversações e acordos alcançados centraram-se na autonomia estratégica da UE, na competitividade industrial com destaque para o setor automóvel e na cooperação em matéria de defesa, energia e migração.
"Itália e Alemanha têm uma responsabilidade especial nesta fase da história: a UEdeve escolher entre ser protagonista do seu destino ou sofrer com ele", afirmou Giorgia Meloni, depois de receber Friedrich Merz na cimeira intergovernamental Itália-Alemanha, em Roma, na sexta-feira.
A primeira-ministra italiana falava na conferência de imprensa após as conversações com o chanceler alemão na Villa Doria Pamphilj.
"Itália e Alemanha estão próximas como nunca estiveram antes", após 75 anos de relações diplomáticas, disse Merz.
"Queremos a competitividade das nossas indústrias e fazer mais pela segurança", sublinhou, acrescentando que a Europa deve agora concentrar-se em "dossiês essenciais", incluindo a Ucrânia, a energia e "uma NATO forte numa era de grandes potências" que "faça mais pelo Ártico".
Numa declaração conjunta, publicada anteriormente, os dois chefes de governo "reconfirmaram" a "importância fundamental da ligação transatlântica entre a Europa e os Estados Unidos da América, "baseada em valores comuns e interesses partilhados" e o "compromisso de respeitar o direito internacional, incluindo os princípios da integridade territorial e da soberania", referindo-se à Ucrânia e à Gronelândia.
Os dois líderes assinaram um plano de ação germano-italiano para a cooperação estratégica bilateral, no qual Roma e Berlim se comprometeram a apoiar os esforços dos EUA "para pôr fim ao conflito em Gaza" e a coordenar a resposta à "guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, incluindo sanções, apoio à resiliência e reconstrução da Ucrânia e iniciativas para alcançar uma paz justa".
O que está no Plano de Ação Alemão-Italiano?
Durante a cimeira, os dois governos assinaram sete acordos bilaterais, incluindo nas áreas da agricultura, cultura, mineração, tecnologia e universidades. Os dois líderes ssinaram ainda uma declaração política não vinculativa com o objetivo de fortalecer a cooperação nas áreas de segurança, defesa e cibersegurança.
Além disso foi ainda assinada a tão esperada atualização do Plano de Ação Alemão-Italiano 2023 para a cooperação estratégica bilateral e da UE. O documento observa que a Europa enfrenta desafios que exigem que a UE melhore a sua capacidade de agir como um forte ator geopolítico e admita novos membros, preservando a sua capacidade de funcionar eficazmente.
Defesa e segurança europeias
O acordo afirma ainda que a Itália e a Alemanha "continuam totalmente empenhadas em reforçar a dissuasão e a defesa da NATO e em promover a prontidão de defesa da UE", nomeadamente através de consultas com "organizações e fóruns internacionais dos quais são membros, como as Nações Unidas, a OSCE e o G7" e um novo "mecanismo de consulta conjunta entre os respetivos ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros numa base anual".
Meloni e Merz também exortaram a UE a "adequar as suas estruturas, políticas e processos de tomada de decisão ao futuro".
A economia e a competitividade do bloco estiveram no centro da cimeira, que foi concluída com reuniões entre líderes empresariais italianos e alemães no Hotel Parco dei Principi, na sexta-feira.
Competitividade e proteção do setor automóvel
De acordo com o plano, os dois países trabalharão em conjunto para "promover as indicações do Conselho Europeu para uma transição ecológica competitiva" e para "alcançar os objetivos climáticos da UE".
A Itália e a Alemanha trabalharão em conjunto "para preparar as empresas e os empregos para o futuro e darão especial atenção aos setores automóvel, tradicional e de uso intensivo de energia".
"Apoiamos uma transição competitiva", escrevem os dois líderes, "para uma economia descarbonizada, respeitando o princípio da neutralidade tecnológica no que diz respeito às escolhas nacionais", referindo-se à redução das emissões poluentes exigida por Bruxelas, mas sem uma mudança para motores exclusivamente elétricos, em que a Alemanha, a Itália e a Europa estão atrás da China.
Migrações e o Plano Mattei para África
No Plano de Ação, a Itália e a Alemanha comprometem-se a tomar "iniciativas conjuntas" para promover "a estabilidade e a prosperidade do continente africano como parte integrante da segurança europeia e mediterrânica".
Este plano baseia-se igualmente no Plano Mattei para África, lançado pela Itália em janeiro de 2024, e nas Orientações para as Políticas Africanas da Alemanha, atualizadas um ano mais tarde. Os setores mencionados para o desenvolvimento do continente são o digital, a energia, os transportes, a saúde, a cultura e a educação.
De acordo com o plano, as iniciativas inserem-se numa "abordagem global e inovadora da migração que combina uma ação externa reforçada e aspetos internos, parcerias globais mutuamente benéficas com países de origem e de trânsito, uma proteção mais eficaz das fronteiras externas da UE e a intensificação dos regressos, respeitando simultaneamente o direito internacional e da UE".