Primeiro-ministro português, Luís Montenegro, anunciou esta semana o reforço no programa de combate aos incêndios com aumento de operacionais, meios e dinheiro para o dobro.
Com o país ainda a recuperar da catástrofe que o atingiu, principalmente a zona centro, causada pelas cheias, o Governo apresentou esta semana um reforço do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR 2026) com o investimento maior dos últimos dez anos.
De acordo com o comunicado de imprensa do Governo, no período de maior risco de incêndios, entre o dia 1 de julho e 30 de setembro, serão mobilizados 15.149 operacionais, 3.463 veículos, 2.596 equipas e 81 meios aéreos (incluindo dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea Portuguesa e meios da Afocelca, os bombeiros das grandes empresas florestais).
Luís Montenegro defendeu que “prevenir é sempre o melhor caminho para evitar as catástrofes", lembrando que a elevada pluviosidade que ocorreu no território nestes últimos meses agravou o risco para o verão, devido ao crescimento de vegetação, “combustível disponível”, explicou na apresentação do dispositivo, em Ponte da Barca, na segunda-feira.
Assim, este ano “exige um esforço redobrado até ao verão, para proteger, limpando e fomentando os trabalhos de prevenção", reforçou.
"Se temos mais meios, temos de ter melhores resultados", destacou Luís Montenegro.
O orçamento do DECIR 2026 atinge cerca de 50 milhões de euros em 2026, face aos 38 milhões registados em 2016, e também a compensação diária dos bombeiros aumenta de 45 euros, há dez anos, para 84 euros.
O investimento foi também feito na qualificação operacional e na formação especializada, com um aumento em 44% nas ações de formação e em 33% no número de formandos.
2025 foi o pior ano em termos de incêndios florestais para a Europa e Portugal registou um aumento na percentagem de área ardida , apesar de ter sido o quinto em número de incêndios.
Em agosto do ano passado, Luís Montenegro foi chamado a responder na Assembleia da República depois das críticas à gestão dos incêndios florestais em que a oposição acusou o Governo de não se ter prevenido ao não acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil quando devia.