As Forças Armadas dos Estados Unidos e do Equador iniciaram operações conjuntas contra o tráfico de droga. Por outro lado, a Europol desmantelou uma rede ligada ao cartel Los Lobos e com ligações à máfia albanesa.
No Equador, as Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram pela primeira vez operações militares no terreno contra organizações ligadas ao narcotráfico, numa ação coordenada com as autoridades locais e enquadrada numa ofensiva mais ampla contra o que Washington denomina"narcoterrorismo" na América Latina.
Segundo informou o Comando Sul dos EUA, as operações começaram a 3 de março e tinham como alvo organizações criminosas designadas como terroristas. O comando militar norte-americano não forneceu detalhes operacionais, mas sublinhou o caráter conjunto da missão.
"Elogiamos os homens e mulheres das Forças Armadas equatorianas pelo seu compromisso inabalável nesta luta, demonstrando coragem e determinação frente aos narcoterroristas", afirmou o general da Marinha Francis Donovan, comandante do Comando Sul, citado em comunicado.
A operação ocorre num contexto de forte deterioração da segurança no Equador, que se tornou, nos últimos anos, um ponto-chave do tráfico de cocaína para os Estados Unidos e a Europa.
Desde janeiro de 2024, o país vive um conflito interno de baixa intensidade após a ofensiva do Estado contra os gangues criminosos, declarados inimigos internos pelo governo do presidente Daniel Noboa, que na segunda-feira passada anunciou que trabalharia em conjunto com Washington na sua luta contra os cartéis.
Durante a sua visita oficial ao Equador, em setembro passado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a designação dos gangues Los Choneros e Los Lobos como "organizações terroristas", uma decisão que, segundo Washington, visava reforçar o quadro jurídico para combater esses grupos pelo seu papel central no tráfico de droga, na violência armada e na desestabilização do país.
Até agora, as operações militares norte-americanas contra o narcotráfico durante este segundo mandato de Donald Trump tinham-se limitado a operações marítimas para intercetar suspeitos de crimes ligados à Venezuela, mas nunca houve qualquer reconhecimento público de uma ação no terreno.
Golpe europeu às máfias albanesas
Paralelamente, a Europol apoiou uma operação policial internacional no Equador, na Bélgica e nos Países Baixos que permitiu desmantelar uma rede de tráfico de cocaína ligada, precisamente, ao cartel equatoriano Los Lobos e a organizações criminosas albanesas com presença no Velho Continente.
A investigação resultou em 16 detenções, na apreensão de mais de quatro toneladas de cocaína e no desmantelamento de uma complexa rede de branqueamento de capitais e de corrupção. A Europol atuou como centro de intercâmbio de informações e coordenação operacional.
Espanha desempenhou um papel de destaque através do projeto GDIN, liderado pela Guardia Civil, que forneceu alertas sobre contentores suspeitos e reforçou a cooperação transatlântica contra o tráfico de droga. "A Europol atuou como um centro de informação fundamental para garantir o intercâmbio rápido e seguro de dados entre as autoridades envolvidas", indicou a agência europeia no seu comunicado.
Ambas as ações refletem uma intensificação sem precedentes da cooperação militar e policial internacional no Equador, onde agora convergem a estratégia de segurança dos Estados Unidos e a ofensiva europeia contra as redes criminosas que abastecem o mercado de drogas na UE.