Em declarações à Euronews, após o seu painel na Web Summit Qatar, o antigo ministro das finanças grego afirmou que o mundo pode estar a caminhar para uma nova crise como a de 2008, impulsionada pela ascensão das stablecoins e das poderosas plataformas tecnológicas.
O capitalismo já acabou e o mundo entrou numa era de "tecnofeudalismo", em que as grandes empresas tecnológicas exercem um poder sem precedentes sobre o comportamento humano, afirmou o antigo ministro das finanças grego Yanis Varoufakis.
Em declarações à Euronews, após o seu painel na Web Summit Qatar, Varoufakis alertou para o estado da economia global.
"O capitalismo já acabou e nem sequer nos apercebemos disso", sublinhou.
O crescimento das stablecoins está a remodelar discretamente o sistema financeiro de formas arriscadas, disse Varoufakis.
"(O presidente dos EUA) Donald Trump, com a Lei Genius, privatizou o dólar americano. Manteve a Reserva Federal em baixo... e está a transferir poderes para empresas privadas, essencialmente com uma licença para imprimir dólares", disse.
Varoufakis alertou que esta situação cria um perigoso ciclo de retorno entre a dívida pública e a moeda privada.
"Esta é uma receita para o próximo 2008", disse Varoufakis, acrescentando que milhares de milhões de dólares poderão migrar para stablecoins nos próximos meses, aumentando o risco sistémico.
O Comissário explicou que as plataformas modernas não produzem bens, mas moldam comportamentos e simulam mercados.
"Qualquer pessoa que detenha esse poder pode dirigir-nos... para nos treinar, ganhar a nossa confiança e infundir-nos desejos. Isto já não é capitalismo. Bem-vindos ao tecnofeudalismo", afirmou.
Varoufakis sublinhou ainda a desigualdade, afirmando que esta é agora cada vez mais impulsionada pela posse daquilo a que chama capital de nuvem. "A questão mais importante agora é saber a quem pertencem as máquinas que podem modificar o nosso comportamento", explicou.
Para reequilibrar o poder económico, Varoufakis apelou para a democratização dos bancos centrais.
"Os bancos centrais devem ser democratizados. O JP Morgan e o Bank of America têm de ter uma conta no banco central", disse. "O dinheiro devia ser um bem comum, não um privilégio."
Embora exista tecnologia para o fazer, a resistência política é grande, porque essas reformas reduziriam a influência das instituições financeiras e das grandes empresas tecnológicas, concluiu o economista grego.