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Saif al-Islam Kadhafi assassinado em casa por quatro homens armados

Saif al-Islam Kadhafi em Tripoli, na Líbia, a 12 de agosto de 2010.
Saif al-Islam Kadhafi em Tripoli, na Líbia, a 12 de agosto de 2010. Direitos de autor  Abdel Magid Al Fergany/AP
Direitos de autor Abdel Magid Al Fergany/AP
De Euronews
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A imprensa líbia confirmou que Saif al-Islam Kadhafi foi morto por quatro pessoas perto da cidade de Zintan, no oeste do país. Entretanto, a 444.ª Brigada, uma formação militar afiliada ao Governo de Unidade Nacional, foi rápida ao negar qualquer envolvimento no assassinato de Kadhafi.

A agência oficial de notícias líbia anunciou, na terça-feira, a morte de Saif al-Islam Khadafi, filho do falecido líder líbio Muammar Khadafi.

O conselheiro político de Khadafi, Abdullah Othman, confirmou a notícia da sua morte numa breve publicação na sua página no Facebook, sem revelar quaisquer detalhes sobre o assassinato ou quem o cometeu.

A Al-Masar TV citou Abdullah Othman a adiantar que os autores do ataque não são ainda conhecidos, observando que Khadafi foi alvo de uma emboscada por volta das 14h, dentro do seu quartel-general nos arredores de Zintan, depois de as câmaras de vigilância terem sido desativadas e eclodirem confrontos entre um grupo armado e os seus guardas.

Por seu lado, a equipa política de Saif al-Islam Khadafi lamentou oficialmente a morte do filho do falecido líder líbio, escrevendo: "Estão a ser tomadas providências para recuperar o corpo de Saif al-Islam".

Sites líbios noticiaram que Khadafi foi morto durante confrontos armados que eclodiram entre dois grupos na área de Hamada, em Zintan, depois de um dos grupos ter tentado prendê-lo dentro da sua casa.

444.ª Brigada nega qualquer envolvimento no incidente

A 444.ª Brigada, uma formação militar afiliada ao Governo de Unidade Nacional, negou qualquer envolvimento no assassinato de Saif al-Islam Khadafi, confirmando, por via de um comunicado oficial, que não esteve envolvida nos confrontos que ocorreram na cidade de Zintan.

O comunicado esclareceu que "não há nenhuma força militar ou destacamento de campo afiliado à brigada dentro da cidade de Zintan ou dentro do seu âmbito geográfico", salientando que a brigada não tem qualquer ligação, direta ou indireta, com os eventos que lá ocorreram.

O major-general confirmou que não tinha recebido quaisquer instruções ou ordens relativas à perseguição de Saif al-Islam Khadafi, explicando que esta questão não se enquadrava nas suas competências militares ou de segurança.

Apelou aos meios de comunicação social e aos utilizadores das redes sociais para que fossem precisos na divulgação de informações, se baseassem em declarações oficiais e não se deixassem influenciar por rumores destinados a induzir em erro, causar confusão e provocar distúrbios.

Quem é Saif al-Islam Khadafi?

Saif al-Islam Khadafi, nascido em 1972, é filho do falecido líder líbio Muammar Khadafi. Formou-se na Faculdade de Engenharia da Universidade de Trípoli antes de continuar os seus estudos em várias universidades europeias, seguindo um percurso académico que abriu caminho para a sua rápida ascensão na esfera pública.

Tornou-se presidente da Fundação Internacional Khadafi para a Caridade e o Desenvolvimento. Mais tarde, emergiu como uma figura-chave na vida política líbia, assumindo funções descritas como fundamentais e liderando negociações com partes e entidades estrangeiras, o que reforçou a sua presença como rosto político do regime em momentos críticos, tornando-o uma das figuras mais proeminentes do antigo regime antes da sua queda em 2011.

Em 2006, lançou um projeto de reforma sob o slogan "Libya Tomorrow" (Líbia Amanhã), que foi apresentado na altura como um caminho para a abertura, mas os opositores do regime viram-no como uma tentativa organizada de preparar o caminho para ele assumir o poder. Nessa fase, emergiu como um dos candidatos a herdar o poder.

Após a queda da capital, foi detido por fações armadas, antes de ser condenado à morte na Líbia em casos relacionados com crimes cometidos contra líbios. Ao mesmo tempo, era procurado ao abrigo de um mandado de detenção emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.

Após anos de detenção, foi libertado e o seu nome começou a voltar à ribalta, havendo relatos dos seus esforços para se reintroduzir na cena política e tentativas de concorrer às repetidamente adiadas eleições presidenciais, o que o restabeleceu como uma figura controversa na arena líbia.

Desde a queda e morte de Muammar Khadafi em 2011, a Líbia tem vivido graves fraturas políticas e de segurança, dividida entre duas autoridades rivais: o governo internacionalmente reconhecido liderado por Abdul Hamid Dbeibah, com sede em Trípoli, e uma autoridade paralela no leste apoiada pelo general Khalifa Haftar.

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