A viagem de 72 horas de Friedrich Merz tem por objetivo criar parcerias nos setores da energia e do armamento, numa altura em que a maior e mais forte economia da Europa procura reduzir a sua dependência dos EUA e da China.
O chanceler alemão Friedrich Merz iniciou em Riade, na Arábia Saudita, uma viagem pelo Golfo Pérsico. O objetivo desta visita de 72 horas é estabelecer parcerias nos setores de energia e armamentos, à medida que a maior e mais rica economia da Europa procura reduzir a dependência dos Estados Unidos e da China.
Ao começar a viagem, Merz disse que o objetivo "preservar a liberdade, a segurança e a prosperidade".
A normalização dos laços destes países com Israel é, segundo o chefe do governo alemão, essencial para a estabilidade mundial e é um dos pontos que irá abordar com os líderes dos vários países visitados: "Israel deve ser visto como parte desta ordem, e não como um corpo estrangeiro", disse.
Quanto ao Irão, Merz diz ter três exigências: que Teerão cesse a violência contra o seu próprio povo (nomeadamente a sangrenta repressão das manifestações), que interrompa o seu programa nuclear militar e ponha fim às atividades desestabilizadoras na região.
A Alemanha é um dos aliados mais próximos de Israel na Europa, enquanto os Estados do Golfo têm adotado abordagens diferentes, especialmente desde a guerra na Faixa de Gaza.
A visita aos Estados do Golfo segue-se a deslocações ao Brasil e à África do Sul no ano passado e à Índia em janeiro, com a Alemanha a tentar diversificar as alianças globais: "Com esta rede de parcerias, reduzimos as dependências unilaterais, mitigamos os riscos e criamos novas oportunidades em conjunto para benefício mútuo", disse o chanceler alemão.
As relações entre Berlim e Riade esfriaram depois do assassínio do jornalista Jamal Khashoggi em 2018. Questionado sobre o tema dos direitos humanos, Merz prometeu levantá-lo nas discussões com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e disse que a Arábia Saudita está a fazer progressos nesta área.
Negócios à vista
Merz é acompanhado por líderes empresariais nesta visita. Os setores da energia e das armas estão no centro das conversações com os vários líderes. A viagem começou com uma primeira paragem na capital saudita, onde esteve com Mohammed bin Salman na noite de quarta-feira.
Os outros dois destinos da viagem de Merz são o Catar e os Emirados Árabes Unidos. A visita faz parte de uma cooperação diplomática mais ampla entre a Alemanha e os Estados do Golfo, abrangendo questões políticas, económicas e de segurança.
O Catar é, neste momento, um dos maiores investidores estrangeiros na Alemanha, com fatias no capital de empresas como a Volkswagen, a fornecedora de energia RWE ou a empresa de navios cargueiros Hapag-Lloyd.
Imediatamente antes de viagem a Riade, Merz enfatizou que estas parcerias nunca foram tão necessárias quanto agora, quando a política é cada vez mais determinada pelas grandes potências.
Disse também que gostaria de ver uma cooperação mais profunda na região do Golfo nas indústrias de energia e armas e acrescentou que Berlim está a adotar uma abordagem menos restritiva em relação à exportação de armas.