Os serviços secretos suecos sublinham que a liderança russa se vê numa situação de "conflito estratégico com o Ocidente", sendo um dos seus objetivos alterar a ordem mundial existente.
A Rússia é a ameaça militar dominante na vizinhança imediata da Suécia. É o que afirma o relatório anual do Serviço de Informações e Segurança Militar da Suécia (Militära underrättelse- och säkerhetstjänsten, conhecido pela sigla MUST).
O documento afirma que a Rússia continuará a desenvolver capacidades militares dirigidas contra a Suécia e a NATO, mesmo com as mudanças no curso da guerra na Ucrânia.
A Rússia continua a ser um fator determinante no planeamento da defesa e na avaliação dos riscos militares para a Suécia a médio e longo prazo.
O comportamento da Rússia nas proximidades da Suécia é um fator essencial para a deterioração da segurança.
"Para além da agressão em grande escala da Rússia contra a Ucrânia, vemos que as ações da Rússia utilizando meios híbridos contra a NATO e a UE estão a tornar-se cada vez mais arriscadas e imprudentes", escreve o tenente-general Thomas Nilsson, chefe do MUST, na análise.
A Rússia está a utilizar ativamente métodos híbridos de influência: sabotagem e destruição de infraestruturas críticas; violações do espaço aéreo utilizando aviões e drones; ciberataques, operações de informação e influência da informação.
O objetivo destas operações é criar instabilidade, aumentar a incerteza e a pressão, incluindo tentativas de enfraquecer o apoio à Ucrânia e minar a unidade NATO-UE.
O MUST avalia que a Rússia está a dar prioridade a medidas para reforçar as suas capacidades militares na região e a aumentar gradualmente a sua capacidade militar na região do Mar Báltico e nas proximidades da Suécia.
Mesmo que a guerra na Ucrânia termine, o crescimento das capacidades militares russas poderá acelerar, especialmente se as sanções forem levantadas ou se forem reafetados recursos de outras áreas.
Conflito estratégico com o Ocidente
Os serviços secretos suecos sublinham que a liderança russa encontra-se numa situação de "conflito estratégico com o Ocidente", sendo um dos seus objetivos alterar a ordem mundial existente.
Ao mesmo tempo, o Kremlin está disposto a recorrer à violência militar em grande escala para atingir os seus objetivos políticos, o que é acompanhado por uma perda significativa de vidas e destruição.
Esta ameaça militar é vista como real e concretae requer atenção e preparação por parte dos países da NATO e da Suécia
O relatório afirma que a China e a Rússia estão a desenvolver simultaneamente os seus instrumentos de influência - políticos, económicos e militares - o que tem um impacto na segurança da Suécia.
O Serviço de Informações Militares e de Segurança da Suécia refere ainda que a política internacional é cada vez mais caracterizada pela concorrência entre grandes potências, que lutam de forma cada vez mais feroz por recursos importantes, influência política e acesso a tecnologias-chave. São utilizados meios políticos e económicos para exercer pressão sobre outros países. Uma área onde isto está a acontecer é o Ártico.
"A concorrência entre as grandes potências caracterizava o panorama da política de segurança mesmo antes do ataque da Rússia à Ucrânia em 2022, mas a rivalidade intensificou-se ainda mais, conduzindo a um declínio da estabilidade e da previsibilidade globais", afirma Thomas Nilsson.