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Trump defende repressão da imigração e tarifas no discurso mais longo de sempre sobre o Estado da União

O Presidente Donald Trump profere o discurso sobre o Estado da União numa sessão conjunta do Congresso na Câmara dos Representantes no Capitólio dos EUA em Washington, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026.
O Presidente Donald Trump profere o discurso sobre o Estado da União numa sessão conjunta do Congresso na Câmara dos Representantes no Capitólio dos EUA em Washington, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026. Direitos de autor  Kenny Holston/The New York Times via AP
Direitos de autor Kenny Holston/The New York Times via AP
De Emma De Ruiter
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Ao dirigir-se a uma sessão conjunta do Congresso, o presidente dos Estados Unidos foi repetidamente aplaudido de pé pelos republicanos, enquanto os democratas permaneceram sentados em protesto.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender as suas políticas cada vez mais impopulares da sua administração durante o mais longo discurso de sempre sobre o Estado da União perante o Congresso.

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Donald Trump, que se vangloriou de ter "ganho tanto", começou por pintar um quadro otimista, declarando que a América estava "maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca".

"Esta noite, após apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançámos uma transformação como nunca ninguém viu antes, e uma reviravolta para sempre", afirmou o presidente dos EUA.

Trump espera que o discurso em horário nobre, transmitido por todas as principais redes, o ajude a vender essa mensagem aos eleitores, depois de um primeiro ano de regresso ao poder profundamente divisivo.

Com a popularidade em baixa nas sondagens, Trump teme que o Partido Republicano perca o controlo do Congresso nas eleições intercalares de novembro, o que pode paralisar o resto do seu segundo mandato, expondo-o a um possível terceiro impeachment.

Trump tentou, em alguns momentos, apelar a sentimentos patrióticos bipartidários, apresentando uma série de convidados surpresa que incluíam heróis militares dos EUA, um antigo prisioneiro político libertado depois de a sua administração ter derrubado o Presidente venezuelano Nicolas Nicolás Maduro e a equipa de hóquei masculina dos EUA, vencedora da medalha de ouro olímpica.

Em seguida, anunciou a atribuição da Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração civil do país, ao guarda-redes da equipa.

Também entregou Medalhas de Honra, a mais alta condecoração militar, a um piloto de helicóptero ferido no ataque de janeiro para derrubar Maduro e também a um veterano de 100 anos da Guerra da Coreia.

Melania Trump entrega a Medalha de Honra do Congresso ao capitão Royce Williams, piloto da Marinha da Segunda Guerra Mundial, em Washington, na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026.
Melania Trump entrega a Medalha de Honra do Congresso ao capitão Royce Williams, piloto da Marinha da Segunda Guerra Mundial, em Washington, na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026. AP Photo/Matt Rourke

Trump foi alvo de protestos durante discurso

Trump defendeu as medidas de forte repressão à imigração e o seu esforço para preservar as tarifas generalizadas que o Supremo Tribunal acabou de derrubar.

O líder da Casa Branca descreveu a decisão do tribunal, que recusou a autoridade do presidente dos Estaod unidos para aplicar as suas tarifas globais, como "infeliz", insistindo que a medida estava a funcionar. Donald Trump não se dá por vencido, prometendo seguir em frente, através da utilização de leis "alternativas" para impor os impostos sobre as importações, reforçando que "não será necessária a ação do Congresso". Também declarou que, um dia, as tarifas iriam "substituir substancialmente" o sistema moderno de imposto sobre o rendimento, alegando que estas são pagas pelos países estrangeiros, apesar das provas de que os custos destas taxas são suportados pelos consumidores e empresas norte-americanas. "Está a salvar o nosso país", acrescentou.

A meio do discurso, Trump tornou-se mais agressivo, atacando os seus opositores, que o hostilizaram durante toda a intervenção, dizendo que estes "deviam ter vergonha". Mais tarde, apontou para os democratas e proclamou: "Estas pessoas são loucas" e "os democratas estão a destruir o nosso país".

O deputado democrata Al Green foi escoltado para fora do hemiciclo depois de ter desenrolado um cartaz de protesto onde se lia "Os negros não são macacos!".

Al Green segura um cartaz enquanto Donald Trump passa fazer o discurso do Estado da União. Washington, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026.
Al Green segura um cartaz enquanto Donald Trump passa fazer o discurso do Estado da União. Washington, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026. Kenny Holston/The New York Times via AP

O cartaz parecia ser uma referência a um vídeo racista que o presidente publicou e que mostrava o ex-presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle Obama, retratados como primatas numa selva.

Um aviso ao Irão

A atualidade internacional não ficou de fora da intervenção, nomeadamente a atual tensão no Médio Oriente.

Trump afirmou que o Irão está a procurar mísseis que possam atingir os Estados Unidos e repetiu que o país nunca será autorizado a construir uma arma nuclear.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, o Irão "está neste momento novamente a perseguir as suas sinistras ambições nucleares".

Trump afirmou que a "preferência é resolver este problema através da diplomacia". "Mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o patrocinador número um do terrorismo no mundo - que são, de longe, - tenha uma arma nuclear", acrescentou.

O presidente também relembrou os ataques aéreos dos EUA no verão passado que atingiram as capacidades nucleares de Teerão e elogiou o ataque que depôs Maduro na Venezuela - bem como a intermediação da sua administração de um cessar-fogo na guerra de Israel com o Hamas em Gaza.

Menos mencionado foi o facto de Trump ter posto em causa as alianças militares dos EUA com a NATO, graças à sua tentativa de anexar a Gronelândia e ao facto de não ter adotado uma linha mais dura com o Presidente russo Vladimir Putin para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Outras fontes • AP, AFP

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