Um elétrico descarrilou no centro de Milão, atropelando e ferindo dezenas de passageiros e transeuntes, e embatendo depois num edifício. Alguns dos feridos estão em estado grave.
Um elétrico da linha 9 descarrilou por volta das 16 horas desta sexta-feira na Viale Vittorio Veneto, no centro de Milão, a caminho de Porta Genova. O veículo embateu contra um edifício, atingindo alguns transeuntes e a montra de um restaurante. Pelo menos duas pessoas morreram no acidente, avança o Corriere della Sera.
Há pelo menos 40 feridos, alguns em estado grave, segundo as autoridades, citadas pelos meios de comunicação locais.
O condutor terá perdido o controlo do veículo e embateu num prédio na esquina, derrubando um semáforo. O elétrico deveria ter seguido em frente, mas saiu da linha e fez uma curva à esquerda.
De acordo com a informação avançada pelo Corriere della Sera, a vítima mortal não era um passageiro, mas sim um transeunte que foi atingido pelo veículo, que, após descarrilar, atropelou várias pessoas antes de embater contra a montra de um estabelecimento de restauração.
Várias pessoas ficaram presas dentro do veículo, e no local estão veículos de emergência, entre ambulâncias, bombeiros e polícia municipal. No total, foram enviados para o local cinco veículos de socorro.
Segundo os serviços de socorro, entre os feridos há pelo menos um em estado grave, seis em "código amarelo" (urgência média) e os restantes em "código verde" (feridos ligeiros).
"Uma tragédia. É difícil analisar completamente o que aconteceu agora", explicou o presidente da Câmara de Milão Giuseppe Sala, cita o Corriere della Sera. "O veículo era novo, o maquinista era muito experiente e só estava a trabalhar há uma hora." O autarca revelou ainda que uma das paragens foi saltada. "Uma possibilidade é que o maquinista se tenha sentido mal", admitiu.
Sobre as imagens que circulam nas redes sociais do momento do descarrilamento, comentou que "o elétrico seguia em alta velocidade" face ao que é normal.
No local encontra-se também o procurador-geral de Milão, Marcello Viola, que já adiantou que está a ser investigada a possibilidade de homicídio culposo, embora se desconheçam ainda os motivos do acidente, ocorrido ao final da tarde perto do centro histórico da capital da região da Lombardia.
O acidente, ao longo da avenida central Vittorio Veneto, ocorre numa altura em que a capital italiana recebe a semana da moda e no intervalo entre os Olímpicos de Inverno e os Jogos Paralímpicos.
O elétrico da linha 9 atravessa o coração da capital financeira italiana. A ATM, empresa de transporte público de Milão, disse estar a cooperar com a Procuradoria-geral para estabelecer as causas do acidente.
O elétrico de última geração era o novo modelo Tramlink, que começou a operar em Milão algumas semanas antes. É um dos primeiros elétricos bidirecionais na história da cidade, com duas cabines-piloto, um em cada extremidade, permitindo ao veículo inverter a direção se necessário. Este novo modelo tem 25 metros de comprimento, composto por três carruagens, com 66 lugares.
Entre as hipóteses iniciais que estão a ser analisadas pelas autoridades estão a possibilidade de o maniquista se ter sentido mal ou uma falha no sistema de mudança de via, que estava "fechado", ou seja, na posição de viragem em direção à Via Lazzaretto.
O elétrico deveria ter continuado em linha reta ao longo da Viale Vittorio Veneto. Nessa zona, os trilhos estão flanqueados de um lado pela calçada e do outro pelos canteiros de flores dos Bastiões da Porta Venezia. O interruptor de mudança de via é ativado apenas pelos maquinistas.