O Presidente cubano confirmou as recentes conversações com Washington para resolver as divergências bilaterais num contexto de apagões e escassez de combustível. Havana anunciou também a próxima libertação de 51 pessoas presas, num gesto de boa vontade.
O Presidente cubano Miguel Díaz-Canel confirmou as recentes conversações com Washington para resolver as divergências bilaterais num contexto de apagões e escassez de combustível. Havana anunciou também a próxima libertação de 51 pessoas presas, num gesto de boa vontade.
O Presidente cubano confirmou que o seu governo manteve recentemente conversações com os Estados Unidos para tentar resolver as divergências entre os dois países. É a primeira vez que Havana reconhece oficialmente estes contactos, num contexto marcado por uma grave crise energética e apagões recorrentes.
De acordo com o Presidente, as conversações tinham como objetivo "encontrar soluções através do diálogo para as diferenças bilaterais entre as nossas duas nações", sem fornecer mais pormenores sobre o conteúdo ou os interlocutores. Díaz-Canel culpou o "bloqueio energético" dos EUA pela falta de abastecimento de petróleo, afirmando que nenhum carregamento chegou à ilha nos últimos três meses.
A escassez de combustível causou cortes de energia generalizados, especialmente no oeste do país, afetando milhões de pessoas. O Presidente reconheceu que o impacto na economia e nos serviços básicos é grave. "O impacto é tremendo", disse ele, detalhando os problemas nos transportes, comunicações e cuidados de saúde, com milhares de cirurgias adiadas.
Díaz-Canel sublinhou que o objetivo dos contactos é avaliar "a vontade de ambas as partes de tomar medidas concretas em benefício dos povos dos dois países", bem como identificar possíveis áreas de cooperação, sempre com base no respeito pela soberania cubana.
Libertação de 51 prisioneiros num gesto de boa vontade
Horas antes, na noite de quinta-feira, o governo cubano anunciou a libertação de 51 prisioneiros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros declarou que a medida se insere num "espírito de boa vontade" e responde às relações com o Vaticano. De acordo com as autoridades, "todos cumpriram uma parte significativa da sua pena e mantiveram um bom comportamento na prisão".
Não foi especificado se os presos políticos se encontram entre os beneficiários. A organização Prisoners Defenders estima que, no início de 2026, existiam mais de 1200 presos políticos em Cuba.