Em quatro anos foram contabilizadas 42 mortes por afogamento durante o período da Páscoa. Para o fim de semana são esperadas temperaturas propícias a mergulhos mas os nadadores-salvadores recomendam cautela.
O tempo é quase de verão e deixa o sério convite para um mergulho no mar. Para o domingo de Páscoa são esperadas temperaturas que podem chegar perto dos 30 graus em algumas regiões o que, aliado às mini-férias desta altura do ano, pode levar centenas de pessoas a procurarem o sol do litoral do país.
Mas para quem vai a banhos, a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS) deixa o alerta sobre os perigos para a população que acaba por frequentar praias não vigiadas.
De acordo com os números da Federão, entre 2022 e 2025 foram registadas 42 mortes por afogamento durante o período da Páscoa. O maior número foi registado em 2024, com um total de 20 vítimas mortais contabilizadas, com a FEPONS a alertar para o elevado número da mortalidade durante este período.
"Nos anos anteriores estas duas semanas [do período da Páscoa] têm estado com valores muito acima da média do afogamento", indicou o presidente da FEPONS, Alexandre Tadeia, à agência Lusa.
Para justificar os números, os nadadores-salvadores indicam vário fatores com as praias sem vigilância, fator aliado ao bom tempo e às férias escolares durante este período.
O exemplo mais recente está num rapaz de 17 anos, atualmente está desaparecido no mar da Costa da Caparica, no concelho de Almada. O jovem não é visto desde as 16h55 de quarta-feira, quando estava na praia do Dragão Vermelho a jogar futebol com amigos. O adolescente terá entrado no mar, acabando por desaparecer.
Ao deixarem o alerta, os profissionais pedem cautela à população, de forma a evitarem zonas não vigiadas, com atenção redobrada junto à água, ao mesmo tempo que lembram que não se deve virar as costas ao mar.
Se houver crianças, a vigilância deve ser ainda mais apertada.
A causa não é nova e volta agora a ser reforçada, com os profissionais a indicarem que a vigilância das praias deveria existir todo ano e não apenas durante a época balnear. Alexandre Tadeia diz que é necessário criar um sistema diferente do que é atualmente utilizando, espelhando, por exemplo, para os nadadores-salvadores um modelho semelhante ao dos bombeiros.
Em Portugal, a época balnear arranca no início de junho para a maioria dos locais, com o período a estender-se até meio de setembro. As datas específicas são, por norma, definidas pelos próprios municípios.
Fim de semana prolongado com temperaturas perto dos 30 graus
Para o fim de semana de Páscoa estão previstas temperaturas de verão. Sexta-feira arranca já com tempo quente, com os termómetros a ultrapassarem os 20 graus em Portugal Continental, esperando-se máximas de 25, 26 e 27 graus até domingo, durante o dia.
À noite, as temperaturas descem, com as mínimas a variarem entre os 2 e os 14 graus.
Mas o cenário vai mudar: de acordo com o IPMA, a próxima semana arranca com uma descida nas temperaturas e o regresso de alguma precipitação.