Itália ficou de fora do Mundial pela terceira vez consecutiva, após perder a série de penáltis contra a Bósnia-Herzegovina na final do play-off de qualificação.
Os responsáveis desportivos e governamentais italianos rejeitaram categoricamente a proposta de um enviado dos EUA para substituir o Irão na Copa do Mundo de 2026 pela seleção italiana.
“Não é correto. A qualificação conquista-se em campo”, afirmou o ministro do Desporto, Andrea Abodi, acrescentando que, na sua opinião, tal alteração por parte da FIFA “não é possível”.
“Eu ficaria ofendido. É preciso merecê-lo para ir ao Mundial”, declarou o presidente do Comité Olímpico Nacional da Itália, Luciano Buonfiglio, enquanto o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, afirmou: “Eu ficaria envergonhado.”
Os comentários surgem depois de o enviado especial dos EUA, Paolo Zampolli, ter afirmado que pediu à FIFA para substituir o Irão pela Itália no próximo Mundial deste verão, apesar de a Itália não se ter qualificado.
“Confirmo que sugeri a Trump e ao (presidente da FIFA, Gianni) Infantino que a Itália substituísse o Irão no Mundial”, afirmou Zampolli ao FT.
“Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a Azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, a seleção tem o currículo necessário para justificar a sua inclusão”, acrescentou.
Itália ficou de fora do Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva, depois de ter perdido a final do play-off de qualificação para a Bósnia e Herzegovina nos penáltis.
A participação do Irão no Campeonato do Mundo foi posta em causa pela guerra que eclodiu a 28 de fevereiro.
A FIFA recusou-se a comentar o pedido de Zampolli, referindo-se antes à declaração de Infantino de que a equipa iraniana participará "de certeza".
"Esperamos que nessa altura a situação seja... pacífica. Isso ajudaria sem dúvida. Mas o Irão tem de vir se quiser representar o seu povo", disse Infantino na semana passada.
"Qualificaram-se e, na verdade, são também uma boa equipa. Eles querem mesmo jogar e devem jogar. O desporto deve estar fora da política".
Durante o jogo amigável do Irão contra a Costa Rica na Turquia no mês passado, Infantino afirmou que o Irão estará no Campeonato do Mundo e que jogará "onde é suposto estar, de acordo com o sorteio".
A federação iraniana de futebol (FFIRI) tinha dito em abril que estava a "negociar" com a FIFA a transferência dos jogos do país no Campeonato do Mundo dos Estados Unidos para o México.
Na quarta-feira, um porta-voz do governo iraniano disse que a equipa nacional masculina está a preparar-se para uma "participação orgulhosa e bem sucedida" nos seus jogos do Campeonato do Mundo nos EUA.
"O Ministério da Juventude e dos Desportos anunciou que a nossa seleção nacional de futebol está totalmente preparada para participar no Campeonato do Mundo de 2026 nos EUA, por ordem do ministro", disse o porta-voz do governo Fatemeh Mohejerani à televisão estatal.
A equipa deverá chegar ao seu campo de treino no Arizona o mais tardar a 10 de junho, pelo menos cinco dias antes do seu primeiro jogo, tal como exigido pelas regras do Campeonato do Mundo da FIFA.
Zampolli é uma celebridade ítalo-americana, empresário e antigo agente de modelos que afirma ter apresentado Trump à sua mulher Melania.
Nem a Casa Branca, nem as federações de futebol italiana ou iraniana responderam aos pedidos de comentário.
Poderia a Itália substituir o Irão no torneio?
A resposta é sim e não.
De acordo com as regras da FIFA, o organismo dirigente tem "total liberdade" para selecionar uma equipa de substituição em caso de desistência ou exclusão.
Se o Irão, que se qualificou para o Campeonato do Mundo por mérito próprio, se retirasse, isso criaria outra questão, com a FIFA a tentar substituí-lo por outra equipa da Ásia para manter o equilíbrio continental.
Uma opção seria substituir o Irão pela equipa nacional mais bem classificada que não se conseguiu qualificar. De acordo com a atual classificação oficial, seria a Itália, 12ª classificada.
A sugestão terá sido parte de um esforço para reparar os laços entre Trump e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, depois de o presidente dos EUA a ter apelidado de "inaceitável" e de falta de "coragem" por não apoiar a guerra contra o Irão.
A inesperada rutura pública entre os dois líderes, que cultivaram uma das mais estreitas relações transatlânticas durante o ano passado, eclodiu depois de Trump ter criticado o pontífice pela sua posição contra a guerra no Irão.
"Pensei que ela tinha coragem, mas enganei-me", disse Trump ao jornal italiano Corriere della Sera na passada terça-feira.
Meloni defendeu o Santo Padre da Igreja Católica, classificando as críticas de Trump ao Papa como "inaceitáveis".
"O Papa é o chefe da Igreja Católica e é correto e normal que ele apele à paz e condene todas as formas de guerra", afirmou Meloni.
Acrescentou ainda que não se sentiria confortável a viver numa sociedade onde "os líderes religiosos fazem o que os políticos lhes mandam".
Trump ripostou, dizendo ao diário italiano: "Ela é inaceitável porque não se importa que o Irão tenha uma arma nuclear e que faça explodir a Itália em dois minutos se tiver oportunidade".
Trump já tinha chamado a Meloni "um dos verdadeiros líderes do mundo" e "cheio de energia, fantástico", enquanto Meloni disse que ela era capaz de falar com ele "francamente, mesmo quando discordamos".