O crescimento dos veículos elétricos na UE está a acelerar, à medida que as perturbações causadas pela guerra no Irão no Estreito de Ormuz restringem o abastecimento global de petróleo e gás, provocando volatilidade nos preços dos combustíveis.
Num mês marcante para a indústria automóvel europeia, os novos registos de veículos elétricos a bateria (BEV) em toda a UE aumentaram 48,9% em março, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis (ACEA).
Este crescimento surge numa altura em que a Europa enfrenta um período prolongado de preços elevados dos combustíveis devido à guerra no Irão e à perturbação do abastecimento energético global.
Os carros elétricos a bateria atingiram uma quota superior a 20% do mercado total da UE em março e uma quota de 19,4% no primeiro trimestre. Em comparação, no primeiro trimestre de 2025, a quota foi de 15,2%.
O relatório da ACEA explica que esta mudança foi fortemente impulsionada por novos benefícios fiscais e esquemas de incentivos revistos, introduzidos nas principais economias europeias.
Embora os elétricos estejam a ganhar terreno rapidamente, os veículos híbridos (HEV) continuam a deter a maior quota individual do mercado, com 38,6%, e os registos ultrapassaram o milhão de unidades no primeiro trimestre.
Os híbridos plug-in (PHEV) também registaram um crescimento, passando de uma quota de 7,6% no ano anterior para 9,5%.
Em contraste com os números relativos aos veículos elétricos (EV), os veículos com motor de combustão interna (ICEV) continuam a perder terreno.
Os registos de automóveis a gasolina diminuíram ainda mais em toda a UE no primeiro trimestre, caindo significativamente em relação aos 28,7% do ano passado, e o diesel seguiu um caminho semelhante, com a sua quota a encolher para apenas 7,7%.
A ACEA indicou que as vendas totais de automóveis aumentaram 4% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025, impulsionadas sobretudo por novos incentivos fiscais e apoios lançados nas principais economias europeias.
A associação nota também que, apesar do forte crescimento dos BEV, a procura por veículos híbridos se mantém robusta.
Isto sustenta uma abordagem "tecnologicamente neutra" à descarbonização, permitindo uma transição gradual que reflita as diferentes necessidades dos consumidores e a desigualdade ao nível das infraestruturas de carregamento na Europa.
Os "Big Four" da Europa Ocidental
O desempenho das maiores economias do continente, frequentemente designadas por "big four", teve um papel fundamental nestes resultados. Itália, França, Alemanha e Reino Unido registaram tendências diversas, mas globalmente fortes, no sentido da eletrificação.
Na UE, Itália registou o crescimento mais rápido, com um aumento de 65,7% nos registos de veículos elétricos a bateria (BEV) durante o primeiro trimestre.
França seguiu-se com uma subida robusta de 50,4%, enquanto a Alemanha registou um aumento de 41,3% na mesma categoria.
O Reino Unido acompanhou esta tendência com volumes significativos, ao registar mais de 86.000 novos veículos elétricos a bateria (BEV) só em março, uma subida de 24,2% face ao mesmo mês de 2025.
No entanto, a transição não está isenta de perdas.
As vendas de carros a gasolina e gasóleo afundaram nestes mercados decisivos. França registou a contração mais acentuada, com uma queda de 40,3% nos registos.
Itália, Alemanha e Reino Unido também reportaram quebras de dois dígitos nesta categoria, refletindo uma mudança mais ampla no sentimento dos consumidores e nas políticas públicas.
Pressões geopolíticas aceleram transição
A transição para a eletrificação está também a decorrer num contexto geopolítico volátil e dispendioso.
A guerra no Irão e o consequente bloqueio do estreito de Ormuz criaram uma pressão duradoura sobre os mercados energéticos globais, originando preços elevados e imprevisíveis para os combustíveis tradicionais.
Estes fatores externos estão efetivamente a penalizar os proprietários de automóveis a gasolina e a gasóleo, tornando os custos de funcionamento mais baixos dos veículos elétricos cada vez mais atraentes para os condutores europeus.
Se o conflito se prolongar, espera-se que a tendência dos novos compradores de preferirem cada vez mais os veículos elétricos continue, uma vez que afasta os consumidores dos custos crescentes.