Existência da vala comum era conhecida há 49 anos, mas a localização exata não era conhecida. Pessoas enterradas serão vítimas das purgas que se seguiram à tentativa de golpe protagonizada por Nito Alves em maio de 1977.
As autoridades angolanas anunciaram ter encontrado, num cemitério de Luanda conhecido como "cemitério do 14", uma vala comum ossadas de cerca de 500 pessoas, que podem ter sido vítimas das purgas que se seguiram ao alegado golpe falhado de 27 de maio de 1977. Esta é a maior descoberta desde que o presidente João Lourenço fundou em 2019 a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP). A existência desta vala comum era já conhecida desde 1977, mas a localização exata não tinha ainda sido determinada.
A CIVICOP foi fundada com o objetivo de cimentar a reconciliação nacional após os vários conflitos internos que aconteceram entre a independência em novembro de 1975 e o fim da guerra civil em 2022, sendo a procura e localização de campas e valas comuns o objetivo principal deste organismo.
A administração do então presidente Agostinho Neto acusou Nito Alves, à época ministro da Administração Interna, de tentar desencadear um golpe de Estado a 27 de maio de 1977 para mudar a orientação do governo do MPLA. Essa acusação desencadeou uma onda de purgas e execuções. A onda de repressão pode ter morto entre duas mil e 40 mil pessoas, sendo o número exato ainda desconhecido.
Até agora, a CIVICOP encontrou restos mortais de 316 pessoas em oito províncias e confirmou a morte de 3248 pessoas nos vários conflitos internos que se seguiram à independência de Angola.
Segundo o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos angolano, Marcy Lopes, igualmente coordenador da CIVICOP, em declarações à TPA citadas pelo jornal Público, "os restos mortais serão encaminhados para exames laboratoriais, com vista à confirmação das identidades e ao apoio às famílias no processo de reconhecimento dos seus entes queridos". Marcy Lopes referiu ainda que a descoberta se segue a cinco anos de investigação.