Ministros e especialistas deram início ao Fórum Urbano Mundial em Baku no domingo com alertas preocupantes sobre a desigualdade habitacional a nível mundial, apelando à cooperação internacional para fazer face a uma crise crescente.
A disparidade entre os que têm e os que não têm casa foi colocada em termos muito claros no dia de arranque do Fórum Urbano Mundial (WUF), em Baku, no domingo, quando o vice-primeiro-ministro da Eslováquia, Tomas Taraba, afirmou que, enquanto 80% dos eslovacos são proprietários da sua própria casa, em alguns países as taxas de propriedade chegam a ser tão baixas quanto 20%.
"Isto cria uma perturbação muito grande na qualidade de vida social", disse Taraba à Euronews, "e o aumento dos preços é um tema extremamente importante neste momento".
Este contraste marcou um dia de debates que atraiu líderes mundiais, ministros e especialistas em desenvolvimento urbano à capital do Azerbaijão, onde mais de 40.000 delegados de 182 países se reuniram para o WUF13, a conferência emblemática das Nações Unidas sobre urbanização sustentável.
Uma mensagem ultrapassou as divisões regionais e políticas: a crise da habitação já não pode ser resolvida apenas dentro das fronteiras nacionais.
Representantes da Ásia, Europa e África afirmaram que a rápida urbanização, a pressão climática e as carências de infraestruturas estavam a ultrapassar a capacidade de gestão de qualquer governo isolado.
O ministro da Habitação da Malásia e presidente da Assembleia da UN-Habitat, Nga Kor Ming, foi direto sobre o que seria necessário para mobilizar investimento.
"É importante que os governos apresentem projetos decentes que sejam realmente convincentes, porque precisamos de apoiar qualquer projeto com um bom historial e integridade", disse à Euronews.
"Assim que isso for possível, acreditamos que haverá pessoas mais do que dispostas a dar um passo em frente."
O vice-ministro checo para o Desenvolvimento Regional, Filip Endal, afirmou que o valor do fórum reside na troca de abordagens, e não na procura de uma solução única.
"Não creio que exista uma única abordagem para melhorar tudo em todo o mundo", disse Endal à Euronews.
"Mas este é um local excelente para inspiração, e voltarei para casa com algumas ideias sobre como criar, talvez, novas abordagens e novas ideias para melhorar a situação."
Os delegados africanos afirmaram que a urgência é maior para os países em desenvolvimento, que necessitam de maior acesso a financiamento e tecnologia para acompanhar a rápida expansão das cidades.
Hamat Bah, ministro da Terra e da Habitação da Gâmbia, afirmou que a própria experiência de reconstrução do Azerbaijão é instrutiva.
"Precisamos de aprender com o que temos no Azerbaijão - a sua coragem, a sua dedicação para concretizar as coisas", indicou à Euronews. "É uma força motriz. Assumimos um compromisso nacional em conjunto. É uma força motriz que coloca este país de volta no mapa", acrescentou Bah.
O fórum prossegue em Baku até 22 de maio.