Numa altura em que a guerra no Irão continua, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, manteve conversações com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em Baku, na quarta-feira, para alargar a cooperação da União Europeia com o Azerbaijão em matéria de defesa, segurança e energia.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, deslocou-se a Baku na quarta-feira para continuar a desenvolver a cooperação da União Europeia (UE) com o Azerbaijão em matéria de defesa, segurança e, em especial, energia, numa altura em que a escalada da guerra no Irão afeta os mercados energéticos mundiais com consequências imprevistas.
Costa manteve conversações com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e manifestou a "total solidariedade da UE para com o povo do Azerbaijão", na sequência do ataque do Irão ao exclave azeri do Naquichevão, na semana passada.
Desde o início da guerra com o Irão, o Azerbaijão ajudou a retirar cerca de 1800 pessoas do Irão para o Azerbaijão, incluindo cidadãos da UE.
"Permitam-me que manifeste o meu sincero apreço pela assistência que o Azerbaijão prestou aos cidadãos europeus para facilitar o seu repatriamento em segurança do Irão", afirmou Costa numa reunião conjunta com Aliyev.
Novo quadro para uma cooperação mais estreita
Costa disse que Bruxelas e Baku estão agora a trabalhar num novo quadro de cooperação mais estreita, destinado a alargar as relações para além das suas atuais ligações energéticas.
De acordo com a declaração do presidente do Conselho Europeu, o quadro proposto irá aprofundar a cooperação nos domínios da segurança, defesa, energia, desenvolvimento digital e transportes.
"O presidente do Conselho Europeu afirmou que a segurança energética é uma pedra angular da cooperação da UE com o Azerbaijão".
O Azerbaijão, e especificamente o Corredor Meridional de Gás, tem sido fundamental para os esforços da UE no sentido de diversificar as suas fontes de abastecimento de gás, petróleo e carvão.
Com a guerra no Irão a abalar o mercado mundial da energia, Costa afirmou que esta parceria regente é agora "mais importante do que nunca".
"A UE está pronta a mobilizar investimento privado e financiamento para apoiar a transição energética do Azerbaijão. Incentivamos igualmente uma maior participação das empresas europeias de tecnologias limpas nos vossos ambiciosos planos", afirmou o presidente do Conselho Europeu.
Costa também falou do potencial para novas aquisições de gás do Azerbaijão para a Europa ao abrigo do memorando de entendimento de 2022, que visa duplicar as entregas para 20 mil milhões de metros cúbicos.
Cerca de 16 países europeus recebem atualmente o gás do Azerbaijão, disse Aliyev, com 10 Estados-membros da UE entre os destinatários.
O desenvolvimento do Corredor Médio representa uma oportunidade estratégica para novas ligações de transporte.
"A conclusão da ligação ferroviária Baku-Naquichevão seria essencial neste contexto. Ao aumentar a resiliência do comércio entre a Europa e a Ásia, podemos criar empregos, impulsionar o crescimento e reforçar as nossas economias em conjunto", afirmou Costa.
O papel do Cáucaso do Sul no Médio Oriente
A guerra no Irão e a escalada militar no Médio Oriente surgem depois de o Azerbaijão e a Arménia terem assinado um acordo de paz histórico após quase quatro décadas de um trágico conflito.
"Os Acordos de Washington refletem o vosso empenho no diálogo e na reconciliação e a UE apoia a sua aplicação integral", afirmou Costa.
Aliyev respondeu que os dois países "já estão a viver em condições de paz a longo prazo".
Aliyev referiu que, nos últimos sete meses, o Azerbaijão começou a fornecer mais produtos petrolíferos à Arménia e eliminou todas as restrições ao trânsito de mercadorias de países terceiros para a Arménia através do território do Azerbaijão.
Aliyev acrescentou que o ambiente de paz emergente já está a reforçar o potencial económico e de trânsito da região. Em particular, destacou as novas oportunidades de desenvolvimento do Corredor do Meio que liga a Ásia à Europa.
"As questões do trânsito e da conetividade são cruciais. Após a conclusão de um acordo de paz preliminar com a Arménia, surgiram novas oportunidades para expandir o Corredor do Meio, o que reforça o nosso otimismo", afirmou Aliyev.
A crescente cooperação da Arménia com o Azerbaijão e a UE
Na quarta-feira, no momento em que Costa e Aliyev se reuniam em Baku para falar sobre a paz no Cáucaso Meridional, o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, dirigiu-se ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para sublinhar as ambições da Arménia em matéria de integração na UE.
No ano passado, o país adotou a lei que anunciava o início do processo de adesão ao bloco de 27 membros e, desde então, Yerevan tem procurado ativamente estreitar os laços com Bruxelas.
"Agora, após a adoção desta lei, muitos na Arménia perguntam: quando é que a Arménia se tornará membro da União Europeia? A nossa resposta é muito clara: nenhum país pode tornar-se membro da UE sem cumprir as suas normas", disse Pashinyan ao Parlamento Europeu.
No seu discurso, Pashinyan também rejeitou qualquer crítica ao acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão.
"Somos criticados pelo facto de a paz estabelecida entre a Arménia e o Azerbaijão não ser perfeita", disse o primeiro-ministro arménio. "Mas eu pergunto-vos: onde é que a paz é perfeita? Onde é que já existiu uma paz perfeita e quando?"
"Pelo contrário, é a vontade de cuidar da paz que pode levá-la o mais próximo possível da perfeição", concluiu Pashinyan.