A urbanização impulsiona o crescimento económico e a criação de emprego, afirmou um especialista sénior do Banco Mundial à Euronews no Fórum Urbano Mundial, em Baku, mas alertou que África enfrenta um défice de financiamento que nenhuma instituição consegue colmatar sozinha.
“Nenhum país alguma vez se desenvolveu plenamente sem se urbanizar”, afirmou à Euronews o economista sénior do Banco Mundial Mark Roberts, no Fórum Urbano Mundial em Baku, numa resposta direta aos governos que encaram o crescimento urbano como um problema a gerir e não como um progresso a orientar.
Roberts afirmou que a dimensão do investimento necessário, sobretudo em África, ultrapassa a capacidade de qualquer ator isolado.
“No que toca às infraestruturas urbanas, as necessidades de financiamento são enormes, em particular para África, mas também para todas as regiões que se estão a urbanizar muito rapidamente”, disse.
“Nenhuma agência, organização doadora ou o próprio setor público é suficiente por si só. O essencial é mobilizar financiamento a partir de várias fontes, incluindo do setor privado.”
Entre as ameaças que apontou contam-se as cheias e o calor extremo, que já estão a perturbar o funcionamento das cidades.
Quanto às pressões de crescimento associadas à urbanização, como os engarrafamentos, a subida dos preços dos terrenos e a pressão sobre a habitação, Roberts foi claro.
“Temos congestionamento do trânsito nas cidades, os preços dos terrenos tendem a subir, mas isso acontece porque as cidades estão a atrair pessoas”, afirmou.
“E essa atração de pessoas para as cidades cria oportunidades enormes em termos de crescimento económico e criação de emprego.”
“A urbanização não é algo que deva ser temido”, acrescentou.
Nem todos partilham o otimismo de Roberts. Especialistas e responsáveis locais defendem que a urbanização rápida e mal gerida em África e no Sul da Ásia deu origem a vastos bairros informais, agravando as desigualdades e a degradação ambiental.
Moges Tadesse, responsável máximo pela resiliência da cidade de Adis Abeba, alertou que, em muitas cidades africanas, as pressões do rápido crescimento urbano já ultrapassam a capacidade de resposta dos governos.
“As alterações climáticas são um desafio global, mas não afetam apenas a habitação. Afetam a economia, afetam também a vida humana e são muito devastadoras”, disse à Euronews, apelando a um maior investimento internacional para ajudar os países vulneráveis a suportar custos gerados sobretudo pelas nações mais ricas.
Criado pela Assembleia Geral da ONU em 2001, em paralelo com a formação da ONU-Habitat, o Fórum Urbano Mundial realiza-se de dois em dois anos numa cidade diferente desde a primeira edição, em Nairobi, em 2002, que reuniu cerca de 1.200 participantes.
Entre as cidades que já acolheram o fórum contam-se Barcelona, Vancouver, Rio de Janeiro, Abu Dhabi, Katowice e Cairo.
A 13.ª edição, o WUF13, decorre em Baku de 17 a 22 de maio, sob o tema “Dar casa ao mundo: cidades e comunidades seguras e resilientes”.
Estão inscritos mais de 40.000 delegados de 182 países, o que faz desta uma das maiores edições na história do fórum. Pela primeira vez, o Azerbaijão convocou uma sessão específica ao nível de chefes de Estado.
Espera-se que o fórum aprove o “Apelo à Ação de Baku”, o documento final destinado a apoiar a Nova Agenda Urbana das Nações Unidas.