Com os adeptos de futebol a preparar-se para o Mundial 2026, o Qatar partilha com os parceiros norte-americanos a experiência de 2022 na organização do maior torneio de futebol do mundo.
A menos de um mês de começar o Mundial de futebol de 2026, cresce a expetativa um pouco por todo o mundo. Pela primeira vez na história, a competição vai acontecer em três países: Estados Unidos, Canadá e México vão acolher um recorde de 104 jogos com 48 seleções.
Vai ser muito diferente do Qatar 2022, que juntou adeptos de todo o mundo no mais pequeno país de sempre a receber um Mundial. As curtas distâncias no Qatar permitiam aos adeptos assistir a vários jogos no mesmo dia, algo de que muitos ainda guardam boas recordações.
Apesar de o Mundial de 2026 ser maior em todos os aspetos, parte da "receita" usada pelo Qatar para organizar a prova está agora a caminho da América do Norte.
Exportar know-how
Ao abrigo de um acordo entre a FIFA e o Comité Supremo para a Organização e Legado do Qatar, funcionários e outros intervenientes-chave foram destacados do Qatar para cidades anfitriãs em vários pontos dos Estados Unidos e do Canadá, para partilharem a experiência acumulada na organização de um Mundial.
Segundo o diretor-executivo do comité, Jassim Al Jassim, especialistas trabalham na América do Norte desde o mês passado em várias áreas, desde as operações do torneio à preparação das equipas de trabalho, passando pelo envolvimento dos adeptos e pela tecnologia.
"É apenas a continuação de uma parceria com a FIFA que é bem conhecida", afirma Al Jassim. "Continuamos a receber muitos torneios da FIFA, para que essa confiança se possa construir e ir sendo consolidada à medida que avançamos", acrescenta.
Na cerimónia de assinatura, no início deste mês, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, elogiou o Qatar pelo compromisso e pelo saber-fazer, afirmando que pode "dormir descansado quando sabe que um torneio se disputa aqui".
«Vimos a experiência que o Qatar foi construindo ao longo dos anos na organização de eventos de classe mundial, desde as infraestruturas desportivas aos hotéis, ao aeroporto, aos transportes e às competências das pessoas», disse Infantino.
Um Mundial de que os adeptos ainda falam
Para muitos adeptos, o Qatar 2022 continua a ser um dos torneios mais marcantes dos últimos anos.
Entre eles está Mohammad Mirza, um superadepto de futebol natural do Irão que assistiu a vários jogos durante o torneio. Coberto de pins e outros objetos futebolísticos, Mirza diz que o que mais o impressionou foi a facilidade de circulação e a hospitalidade.
"Havia transportes gratuitos e os estádios ficavam muito perto uns dos outros", recorda. "Num só dia podíamos ver dois jogos, eu próprio fiz isso. Foi mesmo o melhor Mundial."
Para Al Jassim, esses momentos de encontro cultural fazem parte do que torna especial o maior torneio de futebol do mundo: "Do ponto de vista da experiência dos espectadores e dos adeptos, e também numa perspetiva cultural e social, é muito importante que todas estas pessoas se misturem, se conheçam e contactem com a cultura umas das outras", sublinha. "Esse é o poder do futebol."
Infraestruturas pensadas para durar
As autoridades do Qatar dizem que as infraestruturas construídas para o Mundial de 2022 sempre tiveram como objetivo sustentar ambições desportivas futuras.
O país continua a posicionar-se como um importante polo desportivo mundial, com vários torneios internacionais já no horizonte: "Não é segredo que o Qatar está também na corrida aos Jogos Olímpicos", afirma Al Jassim. "Temos os Jogos Asiáticos em 2030, o Campeonato do Mundo de basquetebol da FIBA em 2027, em 2028 o Campeonato do Mundo de voleibol, por isso creio que o nosso calendário desportivo só vai continuar a crescer nos próximos anos." "Esse foi sempre o objetivo do investimento em infraestruturas: deixá-las como legado duradouro."