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Rússia limita venda de gasolina e gasóleo após ataques ucranianos a refinarias

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Foto ilustrativa Direitos de autor  AP/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor AP/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
De Dmitri Kavalerov
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Ataques de drones ucranianos paralisam ou restringem refinarias na Rússia com capacidade anual de 77 milhões de toneladas, cerca de um terço da produção do país; Kiev fala em 40% da capacidade russa afetada.

Os russos já sentem os efeitos dos ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo: pelo menos 15 regiões, incluindo Moscovo e a região de Moscovo, impuseram limites à venda de gasolina e gasóleo.

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Na região de Moscovo, tomaram esta medida os postos da ORTK, da Lukoil e da Gazprom, como noticia o portal MSK1.RU (fonte em russo).

Segundo a mesma fonte, nas estações de serviço da Lukoil o cliente só pode comprar até 100 litros de gasolina, enquanto nos postos da Gazprom os limites variam entre 100 e 150 litros de gasolina e gasóleo por pessoa.

Antes, o jornal de São Petersburgo "Fontanka" já tinha alertado para uma escassez iminente de gasolina. De acordo com as suas informações, em algumas redes urbanas de postos de abastecimento aplicam-se restrições de venda entre 50 e 95 litros por cliente.

Na região de Belgorod, nos postos da rede Rosneft deixaram de autorizar o abastecimento em jerricans e é proibido atestar os carros, relata o portal "Pepel".

Entre os primeiros a enfrentar falta das gasolinas AI-92 e AI-95 estiveram, em meados de maio, os habitantes de Riazan, depois de as forças armadas ucranianas terem atacado com drones a refinaria local (fonte em russo), uma das maiores da Rússia.

Imagem retirada de um vídeo do governador da região de Krasnodar mostra fumo após o ataque de um drone ucraniano à refinaria de Tuapse
Imagem retirada de um vídeo do governador da região de Krasnodar mostra fumo após o ataque de um drone ucraniano à refinaria de Tuapse AP Photo

"Por dinheiro não vendem, senhas já não há"

Na região ucraniana de Lugansk ocupada pela Rússia também se registam problemas de abastecimento.

Na terça-feira, as autoridades locais anunciaram (fonte em russo) risco de escassez, especificando que nos postos da região não serão vendidos mais de 20 litros de gasolina por pessoa.

A Crimeia anexada tornou-se a primeira região onde a venda de combustível em dinheiro foi oficialmente suspensa. A decisão foi anunciada na quinta-feira, após novos ataques das forças ucranianas contra rotas logísticas, por Serguei Aksionov, chefe da administração de ocupação da Crimeia, que a tornou pública (fonte em russo) no Telegram.

Anteriormente, na Crimeia tinham sido introduzidas senhas para compra de combustível, com um limite de 20 litros por pessoa.

Ao anunciar as restrições, as autoridades locais recorrem a formulações vagas como "dificuldades temporárias", "reparações imprevistas" ou "procura sazonal de combustível", sugerindo que a escassez será passageira.

Entretanto, a agência Bloomberg refere que, em maio, drones ucranianos atacaram a infraestrutura petrolífera russa pelo menos 30 vezes, mais do que em qualquer outro mês desde o início da guerra.

Foram atacadas 16 refinarias, incluindo oito das dez maiores do país, e parte das instalações foi atingida várias vezes. Como resultado, o volume de refinação em maio desce para 4,58 milhões de barris por dia, menos 13% do que há um ano e o valor mais baixo desde o outono de 2009, calculam (fonte em russo) analistas da plataforma OilX.

Segundo estes analistas, a Ucrânia alargou a lista de alvos e está a atingir unidades secundárias, terminais e estações de bombagem, mais difíceis de reparar devido às sanções.

Moscovo: produção cai um pouco, mas situação mantém-se estável

As autoridades russas garantem que a situação está sob controlo. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak, reconhecendo que a produção de petróleo "baixou um pouco" devido a "reparações imprevistas" em várias refinarias, classificou a situação no mercado como estável.

Antes, o governo russo tinha decretado uma proibição total da exportação de gasolina e querosene de aviação. Os meios de comunicação sublinham (fonte em russo) que é a primeira vez que o país adota medidas deste tipo.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também afirmou que a Rússia, conhecida como "bomba de gasolina do mundo", "vai chocar com uma parede de crise real".

Segundo os seus dados, de janeiro a maio deste ano as forças ucranianas atingiram 15 refinarias russas. Zelensky afirmou que, em maio, quase 40% da capacidade de refinação primária de petróleo na Rússia estava fora de serviço e sugeriu que Vladimir Putin não recebe "todas as estatísticas sobre o que está realmente a acontecer".

"Há muito que dizemos que esta guerra deve ser terminada pelos próprios russos", comentou (fonte em russo) o líder ucraniano, prometendo que, a partir de agora, os russos deixarão de ter tempos tranquilos.

Na Ucrânia, ninguém esconde que o objetivo dos ataques à indústria petrolífera russa é pôr fora de serviço o setor que alimenta o orçamento do país e a máquina de guerra, e também fazer com que os cidadãos russos sintam as consequências reais da agressão em grande escala.

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