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União Europeia pondera restringir proteção a ucranianos em idade militar

Desenho que representa refugiados ucranianos, numa parede no centro de Sófia, Bulgária
Pintura representando refugiados ucranianos numa parede no centro de Sófia, Bulgária Direitos de autor  Valentina Petrova
Direitos de autor Valentina Petrova
De Vincenzo Genovese & Sasha Vakulina & Luca Bertuzzi
Publicado a
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Governos da UE ponderam restringir a proteção temporária a homens ucranianos em idade militar, entre pressões de integração e necessidades de tropas da Ucrânia.

A União Europeia está a ponderar restringir o acesso dos ucranianos à proteção temporária, o regime que permitiu a mais de quatro milhões de pessoas viverem em Estados-membros da UE desde 2022.

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Países como a Polónia e a Alemanha defendem a exclusão dos homens em idade militar desse estatuto, que confere o direito de residir e trabalhar na UE até março de 2027.

Pelas regras atuais, os ucranianos podem obter uma proteção semelhante ao estatuto de refugiado sem apresentar um pedido de asilo, ao abrigo da Diretiva de Proteção Temporária da UE, uma medida excecional ativada dias depois da invasão em grande escala da Rússia e renovada todos os anos desde então.

Numa reunião de ministros do Interior da UE, realizada na quinta-feira no Luxemburgo, foram discutidas várias opções para restringir o regime, disseram diplomatas à Euronews.

A proposta que reúne mais apoios prevê excluir homens ucranianos entre os 23 e os 60 anos elegíveis para o serviço militar.

Segundo a Comissão Europeia, qualquer revisão deverá ter em conta se os requerentes estavam legalmente autorizados a sair da Ucrânia. Ao abrigo da lei marcial, a maioria dos homens entre os 23 e os 60 anos está impedida de deixar o país, embora existam exceções para certos grupos, incluindo pessoas com deficiência, quem for considerado inapto para o serviço militar, pais de três ou mais filhos menores de 18 anos e pessoas que prestam cuidados a tempo inteiro a familiares doentes.

Embora a idade formal de recrutamento na Ucrânia comece aos 25 anos, os homens estão, em regra, proibidos de sair do país a partir dos 23.

Apesar destas restrições, alguns homens em idade de recrutamento atravessaram ilegalmente as fronteiras da Ucrânia e obtiveram depois proteção em países da UE. Os homens adultos representam 26,6% dos refugiados ucranianos na Europa, embora não existam dados que indiquem quantos estão em idade militar ou quantos chegaram de forma irregular.

“Notámos que, nos últimos meses, aumentou o afluxo de pessoas [ucranianas] em idade de serviço militar obrigatório”, afirmou o ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt.

Embora a proteção temporária se aplique em toda a UE, os critérios de elegibilidade variam entre Estados-membros.

A Bélgica, por exemplo, exige que os requerentes apresentem prova de que saíram legalmente da Ucrânia, o que dificulta o acesso à proteção a quem saiu de forma irregular. A Polónia, pelo contrário, concede proteção aos ucranianos assim que chegam ao território polaco.

Os países da UE que acolhem o maior número de beneficiários são a Alemanha (1,274.955 pessoas; 29,4% do total da UE), a Polónia (961.405; 22,2%) e a Chéquia (379.820; 8,8%).

Um regime de proteção temporária mais restrito estaria também em linha com a posição do governo ucraniano. No ano passado, o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que os homens em idade militar que tinham deixado o país “devem regressar” e apelou aos países parceiros para que “abordem a questão”.

Outra opção apresentada durante a discussão passava por recusar proteção temporária a ucranianos provenientes de zonas do país consideradas “seguras”.

Vários governos opuseram-se, porém, a esta ideia, argumentando que nenhuma parte da Ucrânia pode ser considerada à margem da guerra.

"Esta solução não é aceitável para nós", afirmou o subsecretário de Estado polaco Maciej Duszczyk. "Sabemos exatamente o que se passa na Ucrânia. Por vezes, cidadãos polacos que vivem perto da fronteira ouvem também as explosões de mísseis russos que atacam alvos civis muito perto das nossas fronteiras".

Outros países, como Espanha ou Itália, defendem a prorrogação do atual quadro, mantendo inalterado o seu âmbito.

«Todos os cidadãos ucranianos devem continuar [...] protegidos em todos os países da UE. Claro que também temos de avançar para uma integração efetiva e para regressos voluntários, consoante as circunstâncias», declarou o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Fontes europeias adiantaram à Euronews que a Comissão Europeia poderá apresentar uma proposta formal nas próximas semanas, ou o mais tardar antes da pausa de verão.

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