Enquanto Washington tenta convencer outros países a impor restrições de viagem a visitantes das zonas afetadas, o responsável europeu da OMS afirma que o risco de propagação do Ébola durante o torneio continua reduzido
O diretor da OMS Europa, Hans Kluge, sublinhou que o risco de propagação do Ébola se mantém baixo antes do Mundial de futebol, numa altura em que os Estados Unidos continuam a pressionar outros países para seguirem o seu exemplo e imporem restrições a viajantes provenientes dos países afetados.
"Não há razão para alterarem os vossos planos. Viajem normalmente, mantenham-se informados e desfrutem do torneio", afirmou Kluge, dirigindo-se aos adeptos do Mundial numa declaração.
A 11 de junho tinham sido registados 635 casos e 127 mortes na República Democrática do Congo e 19 casos e duas mortes no Uganda. Não há casos notificados nos países anfitriões do Mundial – Canadá, México e Estados Unidos – nem na Europa.
Como a maioria dos casos de Ébola está a ser detetada em zonas remotas do Congo e existem controlos antes da viagem a partir das regiões afetadas, tratando-se de um vírus que se propaga apenas por contacto direto, "o risco global continua baixo", garantiu o responsável da OMS Europa.
Apesar disso, os Estados Unidos impuseram restrições de entrada a viajantes provenientes da República Democrática do Congo, do Sudão do Sul e do Uganda.
"A Administração Trump protege o nosso país e os seus cidadãos, mantendo os mais elevados padrões de segurança nacional e de saúde pública", afirmou um responsável do Departamento de Estado à Euronews Health.
Washington espera que outros países adotem as mesmas medidas, numa altura em que se prepara para a deslocação de milhões de espetadores do Mundial para os Estados Unidos.
O embaixador dos Estados Unidos na Bélgica, Bill White, reiterou igualmente o apelo para que a Bélgica decrete proibições de entrada a viajantes provenientes das zonas afetadas.
Mas a Bélgica tenciona manter a sua linha: "continuamos vigilantes e preparados", disse um porta-voz do ministro da Saúde, Frank Vandenbroucke, à Euronews Health.
O país segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
Caso alguém desenvolva sintomas à chegada, "estamos preparados", assegurou o porta-voz.
Washington contactou também outros países, mas o Departamento de Estado não revelou quais.
Os Estados Unidos avisaram que aqueles que não adotarem tais medidas poderão enfrentar consequências (fonte em inglês) para os seus viajantes à entrada nos Estados Unidos.
A Comissão Europeia está a coordenar a resposta com a Bélgica e todos os restantes países da UE, bem como com organizações e parceiros internacionais "desde o primeiro dia", afirmou um porta-voz da Comissão.
"Não há provas de que sejam necessárias medidas adicionais à entrada", acrescentou o porta-voz.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discutiu a resposta ao Ébola (fonte em inglês) com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a 9 de junho. A Comissão não revelou mais pormenores sobre a conversa.
Os ministros da Saúde da UE tencionam discutir o surto de Ébola no dia 16 de junho.