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Onda de calor em França: 49 departamentos em alerta vermelho e um recorde histórico

Fontes do Trocadero em Paris
Fontes do Trocadero em Paris Direitos de autor  AP Photo
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De Jean-Philippe Liabot
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França enfrenta uma onda de calor histórica. Mais catorze departamentos passaram para o nível de alerta vermelho na segunda-feira, elevando o seu número para 49, um recorde desde a criação do sistema de alerta. Outros quarenta departamentos mantêm-se em alerta laranja.

França enfrenta um episódio de calor extremo de uma intensidade e de uma precocidade totalmente inéditas. Esta segunda-feira, 22 de junho, a Météo-France decidiu colocar 49 departamentos em alerta vermelho, o nível máximo do plano nacional.

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Trata-se de um recorde absoluto: desde a criação do sistema de vigilância meteorológica, em 2001, nunca uma parte tão grande do território tinha passado, em simultâneo, para este limiar crítico de alerta. Esta situação ilustra o carácter excecional da massa de ar quente que neste momento cobre o país.

A noite de domingo para segunda foi excecionalmente quente, com uma média nacional de 21,4 °C, um recorde desde o episódio de calor extremo de julho de 2019.

Captura do site Météo-France
Captura do site Météo-France Capture

Temperaturas extremas no oeste do país

O epicentro desta vaga de calor concentra-se sobretudo no oeste do país. As previsões e os modelos meteorológicos apontam para valores recorde que podem atingir 43 °C. Este corredor de calor extremo estende-se ao longo da fachada atlântica, numa linha que vai de Hendaye, nos Pirenéus Atlânticos, até Rennes. Nesta segunda-feira, os termómetros podem chegar aos 43 °C em Bordéus, 41 °C em Limoges e perto de 40 °C na capital, nas horas mais quentes do dia. Em todas estas regiões, a frescura noturna será praticamente inexistente, aumentando o cansaço dos milhões de franceses afetados.

De referir que, esta manhã, às 6h30, já se registavam perto de 26 graus em Bordéus e 27 em Nantes.

E a situação pode ainda agravar-se nas próximas 24 horas. A Météo-France já avisou que o alerta vermelho poderá ser alargado, a partir de terça-feira, a novos departamentos atualmente classificados em alerta laranja.

Vítimas a registar neste fim de semana

O episódio de calor extremo que atinge o país marcou profundamente o fim de semana, levando o governo a comunicar sete mortes diretamente atribuídas à onda de calor.

O desejo de refrescar-se resultou num balanço dramático em termos de afogamentos acidentais. Entre as vítimas, um adolescente de 17 anos perdeu a vida, arrastado pela corrente no rio Dordogne, enquanto outros dois menores se afogaram no rio Doubs, na sequência de um banho proibido em Besançon. No sábado, outro adolescente de 16 anos afogou-se em Dunkerque, no departamento do Nord.

No domingo, três pessoas idosas morreram em casa, na Gironda, devido às temperaturas elevadas, segundo as autoridades locais.

37 °C registados em Paris a 21 de junho
37 °C registados em Paris a 21 de junho AP Photo

Escolas e colégios encerrados em França

Devido à onda de calor, 845 estabelecimentos de ensino encerram esta segunda-feira e outros 1 800 vão adaptar os horários, segundo o ministro da Educação Nacional, Edouard Geffray.

Dos 60 000 estabelecimentos de ensino em França, os encerramentos concentram-se sobretudo nos departamentos em alerta vermelho.

"De uma maneira geral, é preciso dar uma resposta territorial, porque as situações são diferentes", declarou Edouard Geffray na France 3 este domingo. "Primeiro, há uma regra, que é a continuidade do serviço público, e depois existe um sistema de derrogações: a partir do momento em que a segurança dos funcionários ou das crianças possa ser posta em causa, é preciso encerrar", afirmou.

Além disso, as provas orais de cerca de 4 000 candidatos ao baccalauréat previstas para hoje e amanhã foram adiadas alguns dias nas academias de Bordéus, Lyon, Montpellier, Normandia e Poitiers.

Rede ferroviária afetada

A SNCF adaptou o plano de transporte e suprimiu um total de 71 comboios Intercités entre 18 e 22 de junho para limitar o risco de avarias ligadas às fortes calor, nomeadamente nas linhas Paris-Orleães-Limoges-Toulouse, Paris-Clermont-Ferrand e Bordéus-Marselha. As temperaturas muito elevadas podem provocar a dilatação dos carris, fragilizar as catenárias e pôr fora de serviço os sistemas de ar condicionado das composições, como aconteceu há alguns dias num comboio Intercités.

Na Île-de-France, a Île-de-France Mobilités e a SNCF Voyageurs anunciaram igualmente supressões de comboios esta segunda-feira, 22 de junho. As perturbações afetam as linhas RER B, C, D e E. Só o RER A circula normalmente.

Perante uma situação qualificada de "histórica", as autoridades recomendam aos viajantes que adiem as deslocações sempre que possível. O presidente da SNCF, e antigo primeiro-ministro, Jean Castex, aconselhou mesmo as pessoas mais vulneráveis a evitarem viagens de comboio durante este pico de calor.

Grande parte da Europa Ocidental atingida

A onda de calor não se limita às fronteiras francesas: grande parte do continente europeu sufoca sob uma massa de ar subtropical de uma precocidade e de uma intensidade alarmantes.

Em Espanha e em Portugal, os termómetros disparam, sem poupar zonas insulares como o arquipélago das Baleares, onde o setor turístico tem de lidar com calor sufocante muito antes do pico do verão. Este stress térmico intenso para a natureza aumenta o risco de incêndios florestais.

O Reino Unido, habitualmente mais resguardado, regista uma subida espetacular das temperaturas. O Met Office emitiu avisos para um pico de calor, sobretudo no sul de Inglaterra.

Os nossos jornalistas acompanham a evolução da situação em direto. Mais informações em breve.

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